5.4.08
estagio de vida
Texto entregue às gentes animas do cmr d'Alcoitão:

‘Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casasmudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas’

(Ruy Belo, “Todos os Poemas”, Assírio & Alvim, 2001)

Pouco tenho lido além de e-mails nesta minha nova casa em que estou internado, mesmo assim sinto que tenho crescido internamente numa fase em que o crescimento exterior é muito mais importancte.
Disse-me um amigo, enquanto me queixava deste não-viver, ‘mas tu tás a viver com grande estilo’ (nem sei se foi asssim que ele disse). E é verdade talvez não dissesse estilo mas ‘grandeza’, qualidades serão várias: viver perto, estar num centro medicinal gabado de norte ao sul neste cantinho à beira-mar plantado., ter uns pais com disponibilidade feita de amor e carinho, amigos tantos e tão bons que raramente ou nunca me deixaram o coração sentir-se só num processo de auto-conhecimento, pessoas médicas de um valor largamente merecedor de vivas, de facto de falta de sorte não me posso queixar. Cantaria Jorge Palma ‘a gente vai continuar’…

Nem os textos no BLOG tenho lido.

O texto parra uma manif contra a falta de acessos já foi entregue sem o nome de personalidades para não compremetê-las, dera-me a ideia de fazer 1 concerto à porta das câmaras: mário laginha e outros que ele conheça.

Se me deixarem publico aqui a resposta que me deram do grupo que anima o cmr d'Alcoitão.



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