8.3.08
Disciplina e respeito
Duas histórias contraditórias:
1. A utilização de autocarros enquanto transporte colectivo é uma tarefa árdua principalmente em horas de ponta e quando o condutor acelera e trava bruscamente. O autocarro está cheio, que calor, não tenho onde me agarrar, vou tentar ir para aquele lugar mas rápido antes que o condutor acelere e ainda caia estatelada, não há mesmo nenhum lugar sentado?, será que mais valia ir a pé com o transito que está?, está quase na minha paragem de saída é melhor aproximar-me da porta, se vou lá para trás nunca mais consigo sair. Nesta confusão que é lidar com um autocarro cheio, muitos passageiros acabam por não subir para a parte de trás, onde às vezes até há lugares sentados. Confesso que é uma quimera difícil chegar ao espaço livre, mas a questão principal é que há gente que nem sequer entra no autocarro porque este está cheio à frente e atrás há lugares vazios.
2. Na estação de comboios do Cacém, verifica-se um fenómeno muito curioso. A espera do comboio de manhã para ir para Lisboa faz-se de forma extremamente ordenada e cívica. À medida que os passageiros vão chegando à plataforma, dispõem-se em filas equidistantes que tentam representar as portas do comboio. Assim, quando o comboio chega as pessoas entram no comboio por ordem de chegada à estação, podendo escolher ficar sentadas ou não. Na verdade, nunca entrei num destes comboios, portanto não sei até que ponto é que funciona, mas que é admirável é. Quem é que terá iniciado a moda? Terá sido por uma discussão? Terá sido um simples exemplo de alguém que se foi alastrando pelos outros passageiros?

Quer dizer, então, que depende de nós. Não há situações viciadas e incontornáveis, nem muito menos culturas inalteráveis. Talvez seja necessário um primeiro impulso, só!



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