7.1.08
proibições e liberdades
A chamada lei do tabaco com a sua pitoresca entrada em vigor dia 01/01/2008 deu azo às mais variadas críticas e cabelos em pé duma boa parte dos nossos comentadores. Juntando-lhe o espalhafato da actuação da recém-descoberta ASAE, passámos de um "iliberalismo" para um potencial "fascismo de costumes" e coisas ainda bem piores. E tudo por causa de uma lei que finalmente me dá o direito de entrar em alguns cafés e restaurantes sem ter que fumar os cigarros de todos os fumadores que lá se encontram.
Pedro Magalhães disse finalmente o que vários pensadores do nosso espaço público e sobretudo publicado, que também eu julgava serem sensatos, precisavam de ouvir:

«O moralismo com que a legislação sobre o tabaco é apresentada por alguns dos seus defensores incomoda-me, e o mesmo sucede em relação ao crescente espalhafato da actuação da ASAE. Mas incomoda-me ainda mais verificar como pessoas que julgamos serem sensatas se revelam, neste caso, totalmente incapazes de se posicionarem sobre estes temas sem ser com um absolutamente transparente egoísmo, ainda por cima mal disfarçado de uma espécie de liberalismo de pacotilha, ele próprio moralista e paternalista, incapaz de imaginar que aqueles que querem apenas um pouco menos de caos e um pouco mais de respeito nas suas vidas quotidianas também amam a liberdade.»
("Público" de hoje)

[actualização: ler ainda "Todos os sonsos" de Rui Tavares]



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