22.11.07
Isto que escrevi para ti enquanto estavas a dormir, ó seu birbante
No outro dia estava a traduzir a saudade aos meus alunos franceses. Operação banal, corriqueira, sem ironias nem sentimento religioso. A saudade portuguesa, essa coisa tão teorizada pela literatura nacional, afinal traduz-se em segundos, e toda a gente compreende. E depois uma aluna até pôs a ideia-sentimento de Pascoaes em francês vernáculo: "avoir le cafard, quoi!"

Eu gostei da tradução. Mesmo se, para o Petit Robert, "avoir le cafard" ce n'est pas tout à fait la même chose que sentir saudade. Para o Petit Robert, avoir le cafard c'est avoir des idées noires, avoir le 'blues', quoi (a aluna também usou esta expressão). Avoir le spleen, la mélancolie, la tristesse, la déprime.

Num sentido menos figurado "cafard" em francês quer dizer "barata", o insecto. E num sentido mais dissimulado também pode querer dizer beato, tartufo, hipócrita, bufo.

Tudo isto é, ou quis ser nos últimos dias, esta ex-taberna: um insecto hipócrita e melancólico. Tudo por causa da saudade.

Este post é só para dizer que estamos agora a começar a sair do "cafard". Lentamente, que nem uma barata.



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