4.11.07
contemplação
João Bénard da Costa escreve hoje sobre os dois enormes trípticos da Erecção e da Descida da Cruz, de Rubens, actualmente na Catedral de Nossa Senhora de Antuérpia (obrigatório abrir imagens em ecrã inteiro):


Erecção da Cruz (1610-11) | Descida da Cruz (1611-14)
Tríptico central do painel do altar
Catedral de Nossa Senhora, Antuérpia

«(...) se o fabuloso movimento ascensional da Erecção da Cruz se pode explicar por um tema que o pedia, como interpretá-lo na Descida da Cruz, em que o corpo morto de Cristo não parece cair mas ser antes puxado para cima? Como se o tema da Ressureição já se inscrevesse em filigrana nessa tela, onde, mais do que nunca, em qualquer outra representação do mesmo tema, a morte é vencida. Numa diagonal ainda mais poderosa do que a da Cruz na Erecção, o imenso lençol branco que domina, tanto o quadro quanto o corpo nu de Cristo, parece ser não mortalha mas Asa que permite o voo e que todos impulsionam para um "mais alto" que não teria sentido se aquele corpo fosse destinado à terra. No alto, parecem voar as duas personagens que agarram o lençol ou com os dentes ou com as mãos.
Subitamente, agora que finalmente os vi, perguntei-me qual deles figurava a Erecção e qual deles figurava a Descida. Uma multidão de corpos, uma panóplia de formas e a imponderabilidade absoluta. A Cruz, na chamada Descida, já não existe. Apenas a um canto e apoiando o Apóstolo do Apocalipse, a Escada de Jacob com o infinito no seu topo.
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