30.11.07
'Quem te viu e quem te ve'
I’n these great future we can’t forget your past along the way’ (bob marley,’no woman no cry’)

(…) Da minha experiência, de 4
longos anos, nunca vi isto acontecer e prolongar-se por tanto tempo.
Normalmente os amigos estão presentes no início e vão-se esfumando com o
passar dos meses.
Mas, do que conheço dos vários meses de convivência, consigo ser um pouco
mais específico que com a palavra espectacular(...)
(João Peres , enfermeiro, 1 gajo porreiro que foi falado lá em casa apos ter enviado este mail que pedi que me escrevesse a falar da minha –dizem e eu acredito – evolução)

(…) Somente com meus amigos me sinto completo 
Meus amigos são pra mim como as asas prum inseto 
Que voa.(…) vamos enfrentar qualquer problema juntos porque para mim amizade é isso: é estar juntos por prazer e não por compromisso(…)
(tô contigo e não abro, Gabriel o pensador)

Sorte: tenho que fazer 1 brinde aos meus amigos, essenciais nesta recuperação tenho estado como que a reconhecer a minha vida, chamo-lhe ,estágio de vida’.
Um brinde a eles, tantos e tão bons…

Tenho pensado muito no futuro (será que vale a pena) e em deus (prefiro pensar nos mortos, os meus avós Joaquim que andam para aí a olhar-

26.11.07
o puxão de orelhas
Ainda aqui não comentei o "puxão de orelhas" do Papa aos bispos portugueses sobre a situação da Igreja nas nossas terras. A passagem mais destacada do discurso de Bento XVI foi:

«É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado, tendo em conta que todos somos um, desde que fomos baptizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos co-responsáveis pelo crescimento da Igreja».

Deixo sugestões de leitura com títulos da minha responsabilidade:
sugestão 1: o Papa também devia puxar as suas próprias orelhas (Bento Domingues)
sugestão 2: a Igreja portuguesa está demasiado colada à direita (Junário Torgal Ferreira)
sugestões 3, 4, 5 e 6: de como a reprimenda pode ser uma oportunidade para melhorar a comunidade eclesial (Manuel)

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24.11.07
AVALANCHE
tenho de falar aqui do patrono de uma familia de estrelas incadescentes: paulo pedreira. participante com o joão paulo (pelé, para os amigos) na família superstar:paulo pedreira, chamávamos-lhe Seu Paulo. Sempre foi, desde que o conheço, um educador por excelência.
desde educação pelo jogo, está na moda! a divertido senhor das letras - explicador - foi um amigo excepcional, ajudou-me a crescer, agora até recebo autografos e visitas terapêuticas pelo riso.
Pede-se o favor de telefonarem e votarem, é merecido, abram os cordões às bolsa bitte,

falemos agora em mim, cai o egocentrismo de novo, entre mails, mensagens, terapias e vistas já não há tempo e jeito para corresponder aos muitos de quem gosto.

22.11.07
Isto que escrevi para ti enquanto estavas a dormir, ó seu birbante
Para leres quando estiveres menos estremunhado
Ano novo, vida nova.

Para leres quando estiveres menos estremunhado 2
Em 2007 ainda havemos de jogar futebol de cinco no ringue da Praia das Maçãs. Eu com a minha barriga crescente compensada pelo meu jogo de antecipação. Tu com aquela maneira elegante que tens de levar o jogo de trás para diante, com o corpo decidido, o peito bem para a frente, as pernas longas, a passada de jogador da bola.

Para leres quando estiveres menos estremunhado 3
A tua sobrinha dá-se muito bem com a Ginja e hoje aprendeu a chamar-lhe Johnny, Johnny, Johnny como tu.

(A Ginja deita-se na tua cama e está à tua espera)

Para leres quando estiveres menos estremunhado 4
Durante o teu sono, tomou-me uma espécie de torpor. Como se o teu coma me tivesse contaminado. Fiquei indeciso, incapaz de tomar a mínima decisão (como se a mínima decisão tivesse consequências máximas). Agora vou melhor, menos estremunhado, como tu. Vais me acordando.

Os teus pais é que não, esses não se deixaram invadir pelo torpor. Talvez venham a adormecer um pouco depois disto tudo ter passado. Eles têm sido uns heróis, uns bravos, uns valentes. Eles, tão precisados de consolo, é que nos dão consolo a nós.

Para leres quando estiveres menos estremunhado 5
Vou limpar o meu iPod de todas as músicas que escolhi e pôr lá uma para tu ouvires. Quero fazer isso ainda hoje, a tempo da visita. Mas que música é que escolho? Qual é que preferes? Qual é que tens ouvido mais nos últimos tempos, estes tempos que não acompanhei? Que música será a ideal para este momento, entre milhares possíveis? Queres o Chico? Sei que foste ao concerto e que adoraste. Queres o De André? Sei que costumavas ouvir no carro. Queres os Da Weasel? Eu associo-te muito aos Da Weasel, mas não sei se ainda ouves da mesma maneira (os irmãos mais velhos, sabes, ficam-se pela adolescência dos mais novos e daí não passam).

Para leres quando estiveres menos estremunhado 6
Ah, já me esquecia: toma lá um beijinho na testa.

(31 de dezembro de 2006)

Isto que escrevi para ti enquanto estavas a dormir, ó seu birbante
Fórmula mágica contra o caçador selvagem

Ó Tu, Caçador Demoníaco,
aceita esta taça de sangue que te oferecemos
e serve-te dela para cozeres os teus cogumelos.
Mas não venhas mais caçar nos nos nossos territórios!
Vai caçar para o pântano de Ali,
nas terras pantanosas e arbóreas de Mahang,
e leva o teu cão a que chamam Tampoi,
o teu cão a que chamam Koing,
o teu cão a que chamam Langsat.
Puxo da faca de mato,
que fere o Réptil Neutralizador,
para cortar em dois o Réptil Gigante,
e suprimir o Caçador Demoníaco.
Não venhas mais aos nossos territórios
volta depressa aos lugares donde vieste,
regressa aos pântanos de Ali.

(em A oração dos homens, edit. por Armando Silva Carvalho e José Tolentino Mendonça, Assírio e Alvim, 2006).

Isto que escrevi para ti enquanto estavas a dormir, ó seu birbante
No outro dia estava a traduzir a saudade aos meus alunos franceses. Operação banal, corriqueira, sem ironias nem sentimento religioso. A saudade portuguesa, essa coisa tão teorizada pela literatura nacional, afinal traduz-se em segundos, e toda a gente compreende. E depois uma aluna até pôs a ideia-sentimento de Pascoaes em francês vernáculo: "avoir le cafard, quoi!"

Eu gostei da tradução. Mesmo se, para o Petit Robert, "avoir le cafard" ce n'est pas tout à fait la même chose que sentir saudade. Para o Petit Robert, avoir le cafard c'est avoir des idées noires, avoir le 'blues', quoi (a aluna também usou esta expressão). Avoir le spleen, la mélancolie, la tristesse, la déprime.

Num sentido menos figurado "cafard" em francês quer dizer "barata", o insecto. E num sentido mais dissimulado também pode querer dizer beato, tartufo, hipócrita, bufo.

Tudo isto é, ou quis ser nos últimos dias, esta ex-taberna: um insecto hipócrita e melancólico. Tudo por causa da saudade.

Este post é só para dizer que estamos agora a começar a sair do "cafard". Lentamente, que nem uma barata.

Agora que já estás menos estremunhado já podes ler, ó birbante
Aos amigos, nestes dias
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

(Herberto Helder)

Agora que já estás menos estremunhado já podes ler, ó birbante
Qual é a última coisa a morrer: a esperança ou o cinismo? Eu acho, como diz o povo, que é a esperança. O cinismo ainda lhe deve quase tudo.

Agora que já estás menos estremunhado já podes ler...
...isto que escrevi para ti enquanto estavas a dormir, ó seu birbante

Vou fazer a louvação
Louvação, louvação
Do que deve ser louvado
Ser louvado, ser louvado
Meu povo, preste atenção
Atenção, atenção
Repare se estou errado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
E louvo, pra começar
Da vida o que é bem maior
Louvo a esperança da gente
Na vida, pra ser melhor
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve a esperança!
Louvo quem espera sabendo
Que pra melhor esperar
Procede bem quem não pára
De sempre mais trabalhar
Que só espera sentado
Quem se acha conformado

(De Gilberto Gil e Torquato Neto, os primeiros versos da Louvação, por amor da esperança)

18.11.07
Dia Mundial em Memória das Vítimas das Estradas
O Dia da Memória tem como espírito evocar os familiares e amigos sacrificados em acidentes de viação, como reconhecimento, pela sociedade e pelo Estado, da necessidade de combater o trauma rodoviário.

e de novo acredito

16.11.07
fama
Quando a fama vem ou ficamos loucos amaerelados de vaidade ou nos escondemos roxos de vergonha.
Pensar que era aqui ( num CMR- vulgo centro méico de recuperação - em Alcoitão - pensei que era 1 sigla de câmara municipal ) que ia aparecer em dois programas de tv e numa reportagem internaional da Reuters deixa-me louco.
Peço normalmente para me emprestarem/indicarem cd's, dvd's e livros (sempre posso piratear da net). bons, sempre conheço melhor quem me rodeia, veja-se que até nisso tenho sorte.
Atenção que este blog vai ser lido por gente da saúde d'Alcoitão, tem sido publicitado por lá.
Tenho andado numa troca de msg's interrnacionais com o mundo, tenho lá sempre comigo o telele, gosto de receber msg's embora nem sempre me seja possível responder são muitas e tenho as terapias, agora ate tenho lá sempre o portátil, ando com uns problemas com o Hotmail, mas continuo adepto de receber mails.
Ando ansioso por ser operado à anca, daí tavez passe a ser possível vir a casa todos os dias, quando andar venho. Já era para sido feita mas há obras em Santana no hospital

14.11.07
uma grande noite de jazz
Ontem fui assistir ao concerto de Ahmad Jamal do alto das galerias do CCB. Corrijo: ontem fui dançar ao som do concerto de Ahmad Jamal nas galerias do CCB. Os bilhetes baratos obrigam a estar de pé, o que tem as suas vantagens. Uma grande noite de Jazz, sem sombra de dúvida. As melodias suaves e harmoniosas seguidas de secções potentes e estonteantes, a brincadeira dos improvisos entre os quatro, o piano transformado em qualquer coisa inimaginável, a percussão a acompanhar o martelar frenético de certas notas deste homem notável nascido em 1930... Nós precisamos de Jazz, nós precisamos de Jazz!

14/11/2007, CCB Lisboa
Manolo Badrena (percussão), Idris Muhammad (bateria), James Cammack (contrabeixo), Ahmad Jamal (piano)


"Where Are You", 2005, France Jazz Festival
Idris Muhammad (bateria), James Cammack (contrabaixo), Ahmad Jamal (piano)

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tecnologia e inovação na FIL
Foi com entusiasmo que saí das 3ª Jornadas da Inovação organizadas pela AdI. Muitos expositores com projectos de base tecnológica, empresas novas criadas a partir de pouco mais que uma ideia maluca, contactos com este e aquele, fervilhar de ideias, máquinas enormes e barulhentas, onde ir procurar financiamento, como internacionalizar um negócio nos Estados Unidos, máquinas minúsculas e rebuscadas, etc & tal.


13.11.07
Concentração
Segundo um livro que estou a ler "A arte de amar" de Erich Fromm, um dos grandes problemas do amor hoje em dia é que nos falta concentração nas coisas que fazemos. Lemos um livro mas estamos a pensar no que acontece à volta, conversamos sobre algo mas a conversa é tão superficial e cheia de clichés que perdemos o interesse.
Concordo, sinto dificuldades de me concentrar por vezes.
Um exercício proposto no livro é o de pensar numa tela em branco e afastar todos os outros pensamentos, não pensar em mais nada. Tomar consciência de si mesmo no vazio da tela branca, durante 20 minutos...
Um pouco difícil, não?
Tenho algumas dúvidas em relação ao exercício, mas não deixo de sentir falta interior e na nossa cultura de uma atitude assim, mais calma, contemplativa, que dá tempo para cada pessoa se conhecer interiormente.

12.11.07
Só se perdoa o imperdoável!
Em complemento ao artigo do P. Anselmo Borges
Só se perdoa o imperdoável, pois o perdoável já está perdoado. (Jacques Derrida)

Ainda a propósito da nova Igreja em Fátima. Aqui ficam dois pontos de reflexão.

O Padre Luciano Guerra (Reitor do Santuário) salientou que a obra é integralmente paga pelas ofertas dos peregrinos. E deve ser, acredito! Mas esqueceu-se que o Governo vai passar a transferir cerca de mil milhões de euros anuais (dinheiro de contribuintes)para instituições de solidariedade social, as quais são maioritariamente pertencentes à Igreja Católica.
De acordo com o Diário de Notícias, este valor que o Estado destina ao apoio social pretende “evitar que as famílias desfavorecidas paguem assistência social a preços de mercado, o que constituiria uma manifesta injustiça.”


Existem várias maneiras de envagelizar a palavra de Deus, no entanto tenho a certeza que nenhuma tem como base a Avareza.

“Jesus reuniu os doze apóstolos e deu-lhes poder e autoridade para expulsarem espíritos maus e curarem doenças. Mandou-os também anunciar o Reino de Deus e curar doentes. Mas recomendou-lhes: "Não levem nada para o caminho: nem cajado, nem saco, nem pão, nem dinheiro, nem muda de roupa. Quando entrarem numa casa, fiquem lá até saírem da povoação. Se nalguma terra as pessoas não vos quiserem receber, quando saírem de lá sacudam o pó dos pés, como aviso para essa gente." Os discípulos então partiram e foram de terra em terra, anunciando a Boa Nova e curando doentes por toda a parte.”

Lucas 9, 1-6

11.11.07
Acredita!
A força com que dizia aquelas palavras fez-nos rir. Sabia o nome de todos, sem excepção. Dava-lhes força, dizia para correrem, batia palmas, gritava e gritava. Tudo para que acreditassem neles e vencessem…

- “Acredita!- dizia ela- Acredita!”

Nunca fui muito de ir ver futebol. Vi quê? Dois jogos ao vivo? Talvez três. Este não foi diferente dos outros: observei mais a plateia do que propriamente o campo e a bola. Perco-me, já nem sequer sei onde ela vai. Normalmente, só sei que foi golo porque ouço gritar… Mas, sinceramente, gosto mais das pessoas. De ouvir o que elas têm para me dizer. Desta vez, foi esta senhora que mais me chamou a atenção, principalmente a forma como ela gritava, “Acreditem equipa!”. Será que tudo se resume a isso? Acreditarmos que somos capazes e fazer tudo por tudo para conseguirmos? Sem desalentos? Sem dar tempo para descansar? E é só a nossa força…

Estavam a perder 12-0, a senhora continuava: “Acredita Rodrigo, acredita!”.

meditação sobre Fátima
Leitura aconselhada da meditação de ontem, sobre Fátima e a sua nova basílica, do P. Anselmo Borges no DN: "Quase lhes perdoo os 80 milhões".



(vistas e visitas aqui e aqui)

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MELado

Escreveu o meu pai numa carta(ainda nem lhe pedi autorização, parece que tenho que pedir DESCULPA -repare-se nas letras grandes -de o trazer para a fama -ele que não é nada adepto destas coisas) para mim:
"foi o estágio que não planeaste, o da difícil aprendizagem do que é ser assistido dia-a-dia por outros, a quem não podes dar senão gratidão, e tens-lo feito muito bem, que os que de ti cuidam andam contentes da maneira como para eles és.(...) e como o que te dão é para regressares a não precisares mais deles e delas, ir à tua vida. Foi o oficío que escolheste também. Incrível como as coisas podem bater certo assim" Fernando Belo (relembro que o curso esolhido foi o de Política Social, nome pomposo para futuros assistentes sociais). Eu chamar-lhe-ia estágio de vida.

Parece que tenho que falar sobre mim e minha evolução, parece que faz sentido à curiosidade dos que nos lêem., pareece que estou a encher de passados aqui o futuros, embora esteja sempre de olhos no futuro.Tenho tantos escritos guardados que dava para escrever um lIvro de memórias.

O MEL -de que faço orgulhoamente parte - (Movimento de Ex-Leonardos) pediu-me para escrever um texto curto que definisse a minha estadia em BERLIM no programa LEONARDDO DA VINCI (espécie de ERASMUS para gente licenciada) Iniciei logo pensamentos à volta do assunto, mas parece que vão usar outro texto maior mais actual, escrito mais a seguir à temporada in deutschland. como comecei a escrever resolvi colocar aqui o dito piccolo texto.

Eis que vem o MEL (MOVIMENTO de EX-LEONARDOS) doce e pegajoso tentando escrevinhar um texto curto que retrate a minha estadia em BERLIM, pediu ajuda a ein gut deutsche freudin (é assim que se diz/escreve?) que o aconselhou a fazer um texto dividido em expectativas, o dia-a-dia lá e momentos marcantes. Ora aceite a sugestão aqui alinho as palavras.
Expectativas altas largamente superadas, ia com uma noção boa mas extremamente errada. O que é isso de viver fora? relembro que na Alemanha
(com gente, língua, temperatura, arquitectura, tudo diferente) era a primeira vez que tinha que viver longe dos pais com Tugas, durante tanto tempo
.
O dia-a-dia: começou com as aulas de alemão de manhã, muito tempo para descobrir a cidade e um 1º estágio numa Associação de cariz sócio-educativo (kinderring). Depois, com dias num ATL de Marzahn - zona problemática de BERLIM, dizem que era uma zona VIP no leste antes da queda do muro. Depois fiz um acompanhamento do MUT, GRUPO de jovens anti-fascistas.
momentos marcantes - tenho esta estúpida mania de pensar como marcantes as pessoas que me acompanharam - no prédio onde vivemos foram vários os grupos de gente que por lá passaram (desde ingleses a italianos).................................................

Restaria acrescentar que adorei estar em Berlim e que hei-de lá voltar.

8.11.07
de uma amiga...

"Eu gosto muito do Inverno; de sair de casa embrulhada em camadas de lã fofa e quente, de abraçar canecas de bebidas fumegantes com as mãos ou de me sentar em frente a lareiras acolhedoras. No entanto, para a maioria das pessoas (esmagadora, eu diria mesmo), o Inverno é uma época do ano má, a pior de todas: porque passam (ainda) mais frio, muitas vezes ficam sem sítio para dormir porque chove, o que as torna mais vulneráveis à doença e à fome. Todas as manhãs passo pela mesmo sexagenária, corcunda e trémula de gelo, que pede esmola no metro do Chiado. Centenas de pessoas passam comigo, todas igualmente indiferentes àquela desgraça. Talvez porque não se trata da sua. Hoje ao almoço, entrou no sítio onde eu comia, uma cigana grávida, vendendo pensos rápidos. Mais de metade dos comensais nem se dignava a fitá-la, limitando-se a menear a cabeça e, sentido negativo, continuando depois a falar ao telemóvel ou a comer, mais uma vez impassíveis à miséria alheia. Pergunto-me: como resolver este ciclo crónico? Porque dar-lhes dinheiro/comida só resolve a necessidade imediata, e não o problema em si, mas fingir que não existem, é pura hipocrisia. E duma crueldade desumana, também."

Tatiana


6.11.07
Sean Riley - Harry Rivers
aqui fica uma das mais interessantes!

boomp3.com

5.11.07
Outra fantástica descoberta!

Farewell, album de estreia de Sean Riley & The Slowriders.
Este trio conimbricense faz neste album de 40 minutos uma empolgate e desafiadora viagem por mundos muito próximos de Leonard Cohen, Bob Dylan, ou Tim Buckley. Surgindo rasante a clássicos dos Smiths, como "The Velvet Undergound & Nico" e "The Queen Is Dead".
Estes rapasolas de Coimbra, que já tinham sido incluidos no album Revelações Fnac, arriscam-se a ter um lugar de destaque na história da musica portuguesa.


4.11.07
contemplação
João Bénard da Costa escreve hoje sobre os dois enormes trípticos da Erecção e da Descida da Cruz, de Rubens, actualmente na Catedral de Nossa Senhora de Antuérpia (obrigatório abrir imagens em ecrã inteiro):


Erecção da Cruz (1610-11) | Descida da Cruz (1611-14)
Tríptico central do painel do altar
Catedral de Nossa Senhora, Antuérpia

«(...) se o fabuloso movimento ascensional da Erecção da Cruz se pode explicar por um tema que o pedia, como interpretá-lo na Descida da Cruz, em que o corpo morto de Cristo não parece cair mas ser antes puxado para cima? Como se o tema da Ressureição já se inscrevesse em filigrana nessa tela, onde, mais do que nunca, em qualquer outra representação do mesmo tema, a morte é vencida. Numa diagonal ainda mais poderosa do que a da Cruz na Erecção, o imenso lençol branco que domina, tanto o quadro quanto o corpo nu de Cristo, parece ser não mortalha mas Asa que permite o voo e que todos impulsionam para um "mais alto" que não teria sentido se aquele corpo fosse destinado à terra. No alto, parecem voar as duas personagens que agarram o lençol ou com os dentes ou com as mãos.
Subitamente, agora que finalmente os vi, perguntei-me qual deles figurava a Erecção e qual deles figurava a Descida. Uma multidão de corpos, uma panóplia de formas e a imponderabilidade absoluta. A Cruz, na chamada Descida, já não existe. Apenas a um canto e apoiando o Apóstolo do Apocalipse, a Escada de Jacob com o infinito no seu topo.
»

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3.11.07
feriado de todos os santos
Foi num acesso de libertinagem com alguma loucura à mistura que saíu este poema poliiglota beato e de soltura fraterna que num passeio latino com vista para o mar lusitano da praia grande (valha-nos tanto adjectivo, josé, se aqui estivesse a tua professora primária chumbava-te):

ó praia da minha vida enorme
rebolo em ti como no destino
assim faz como eu o mar salgado
(o poema estava bom)
ma il giovanne cantante non c'era
et s' il faut que ça finisse!
on le fera en français
on le fera...

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Sanitas

Para a grande maioria de nós que utilizamos a Internet (0.24% da população mundial) este objecto é mais um, na panóplia de objectos que utilizamos no nosso quotidiano. Para outros foi matéria prima para obras de arte. No entanto, é ele e sistema adjacente, que nos permite poder viver confortavelmente em higiene dentro dos nossos lares.

Esta semana foram apresentados alguns dados estatisticos que revelam que 2,5 mil milhões de habitantes deste pequeno planeta não tem acesso a uma sanita. Só para ajustar a dimensão do problema... nós só somos 6,6 mil milhões!

1.11.07
posta egocentrica .dois
«Sou feliz só por preguiça.A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso
entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer. » (Mia Couto in MAR ME QUER)



no dia 18 de novembro do ano passado de madrugada enquanto vinha da má vida entrei através de um acidente na boa vida de um, traumatismo crano-encefálico,tenho demasiados mimos, ainda me torno mimado. estou em alcoitão num hospital de reabilitação há demasiado tempo, após estadas curtas no francisco xavier e no amadora sintra, isto tem sido giro com evoluções constantes (ter o telemóvel para sms já tenho mais tempo de fisioterapia com muito tempo para pensar/observar quem me rodeia

Agora deu-me para isto, ler, ouvir música, ver filmes aproveitar este tempo (de que, apesar do optimismo-dizem que faz bem, eu avredito - herdado, estou farto...), já tenho projectos para um encher de futuros.
Acho que devia ser obrigatório um espaço assim, para vermos a vida e quem nos rodeia, parece que vemos melhor, claro que sem acidentes à mistura.

Vou ser operado à anca e tirar a PEG, leia-se tubo na barriga, pode ser que por isso comece a falar,depois têm que m'aturar...

acho que não posso acabar aqui a posta sem uma palavra para todo o apoio que tenho tido: há três vértices principais: a famelga ( com os pais à cabeça), amigos (são tantos que se torna complicado quando não falamos), um grupo de gente da saúde de alcoitão

este post chama-se assim porque é como o começo de uma segunda fase da minha vida, Sei q vem tarde, mas quando o meu bem-amado corpo o permitiu e com um enorme gosto, assim como quem enche de futuros a vida – valha-nos tanto egocentrismo!

BEIRUT - Guyamas Sonora

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Depois de alguns pedidos aqui fica uma das minhas favoritas!




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