30.10.07
Porquê não sei!
Há já algum tempo que tenho este post em rascunho, um pouco sem saber porque, um pouco por não encontrar a melhor altura. Depois da última conversa com o Zé Maria, tudo ficou mais claro.







Música e letra, original de José Mario Branco, agora com a seda de JP Simões.

29.10.07
SUNGLASSES


22.10.07
Entre os valores e os amigos
No outro dia estava com um grupo de amigos à noite e tínhamos que esperar por um táxi numa fila, não havia muita gente, não íamos ter que esperar muito, mas passaram à frente das pessoas dissimuladamente que ninguém se apercebeu ou não teve vontade para discutir. Mas eu achei demais e disse que não ia com eles, insistiram e empurraram-me para dentro do táxi.
Um deles acabou por pedir desculpas de me obrigar a fazer uma coisa contra os meus princípios, também lhe pedi desculpas pelo mau jeito, tinha acabado de os conhecer...
Senti-me tão mal, será que não dá para sermos amigos daqueles que têm valores diferentes dos nossos? Acho que devia ter insistido em ir sozinha até casa, os amigos não têm de ser todos iguais, né?

21.10.07
a doçura que se não prova
O que é bonito neste mundo e anima,
é ver que na vindima
de cada sonho
fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura que se não prova
se transfigura
numa doçura
muito mais pura
e muito mais nova

(Miguel Torga, "Confiança")

Às vezes ficamos aquém. Aquém daquele projecto que começámos, aquém daquela ideia genial que tivemos, aquém da conversa que não terminámos, aquém... Pode nem sequer ser uma questão de termos falhado, mas sentimos que apesar de tudo ter corrido bem, alguma coisa ficou por fazer. Temos uma mania irreprimível para ficarmos insatisfeitos. Olhamos para a nossa vida e sentimos um amargo na boca, uma doçura que ficou por provar apesar de quase lhe sentirmos o cheiro. Os descontentamentos da vida podem abalar-nos, fazer-nos descrer do mundo, tornar-nos cínicos. Também podem transfigurar-nos. É essa a possibilidade de renovação mais apetitosa -- transfigurar a doçura que não provámos, transformar a amargura num sonho mais doce e partir para outra aventura.
(a propósito dum texto do Tolentino)

17.10.07
Jornada mundial da recusa da pobreza
«October 17, 1987,

On this day, defenders of human and civil rights from every continent gathered here. They paid homage to the victims of hunger, ignorance and violence. They affirmed their conviction that human misery is not inevitable. They pledged their solidarity with all people who, throughout the world, strive to eradicate extreme poverty.

“Wherever human beings are condemned to live in extreme poverty, human rights are violated. To come together to ensure that these rights be respected is our solemn duty.”

Joseph Wresinski (fundador do movimento ATD 4º Mundo)


(texto da lage comemorativa em honra das vítimas da pobreza extrema, na Praça do Trocadéro em Paris)

(PobrezaZero.org | Oct17.org | ATD)

15.10.07
salvar a palavra
Quantas conversas enchem os nossos dias? As conversas de corredor entre uma reunião e outra. As conversas de circunstância com este ou com aquele. As conversas de trabalho em que ninguém se entende. As conversas inesperadamente interessantes com aquela pessoa que nos é mais ou menos desconhecida. As conversas aborrecidas daqueloutro que já todos sabem o que vai dizer. As conversas irritantes em que sabemos que não estamos mesmo a ser escutados. As conversas...
E no meio desta conversada toda, como nos dizemos? Como nos empenhamos no que estamos a falar? Como colocamos não só a nossa opinião mas a nossa própria vida no que conversamos? Não é fácil ousar dizer-se em todas as conversas e com todos os interlucutores. A alternativa é o silêncio ou a conversa fiada, que é uma alternativa pouco interessante. Nas situações limite o silêncio será talvez o mais adequado, mas nas outras conversas o silêncio poder ser só uma desculpa para não se dizer. Para deixar a conversa a meio. Para desistir do nosso interlocutor. Para desistir de falar. Para desistir de amar. E deixamos que a palavra morra.
Os cristãos seguem o Deus da Palavra -- a Palavra que se fez carne. No meio da Babel que são as nossas conversas, salvar a palavra é acreditar que é o próprio Deus que se diz, que dizemos, quando conversamos. É acreditar que apesar de apenas balbuciarmos a linguagem de Deus uns com os outros, Ele nos escuta e mete-Se na conversa... Porque em qualquer conversa estamos sempre perante uma alteridade, perante outra pessoa que se diz à sua maneira. Salvar a palavra é conseguir aí escutar o eco da palavra de Deus. E ousar dizer-se: conversar, conversar, conversar...
(ecos do último encontro do Metanoia de Lisboa)

14.10.07
Mudar o mundo com um sorriso
Lembrei-me de uma conversa que tive uma vez com uma amiga de um amigo sobre a visão católica da transformação do mundo.
Tudo começou com o discurso de que os católicos vivem sempre tristes e a sofrer, ao que eu respondi que muito pelo contrário vivemos na alegria do amor de Jesus e de tudo o que de bonito se vê na terra.
"Achas mesmo que é possível mudar o mundo com um sorriso?" Aquela pergunta veio com uma tal ironia, que na minha timidez e insegurança não consegui responder. Senti-me mesmo envergonhada perante a segurança da minha interlocutora, activista política.
Hoje sei que só é possível mudar o mundo com sorrisos. Mudar leis e decretos sem amor vale de tão pouco!...

6.10.07
Ajudar com o que temos e com o que já não queremos
A Entrajuda é uma instituição que presta serviços a instituições sociais. Criou a bolsa do voluntariado e a bolsa de produtos. Pretende preencher necessidades das instituições com as desnecessidades de outros e com algum tempo de voluntários.
Gostei da ideia, participei como voluntária em Fevereiro fazendo uma base de dados para um Centro Comunitário, fiquei com uma boa impressão.
Sábado dia 13 vão arranjar um espaço para Central de Bens Doados, quem ser quiser voluntarias para ajudar tem mais informações aqui e pode inscrever-se aqui.

4.10.07
Chega o Outono
Começa a cair a chuva, sem muitos avisos e com alguma força por vezes.
As pessoas desabituadas da chuva, correm desajeitadas com ou sem guarda-chuva. É a roupa que não é a mais indicada, são os guarda-chuvas que batem uns contra os outros, são os carros que levantam água das poças...
É uma aprendizagem de todos os anos que até acho graça. Não gosto nada do frio mas até gosto de chuva.

Uma manhã no Centro de Emprego
O dia começou e tudo parecia correr bem. Ia tratar das minhas coisas, enquanto esperava a minha vez no centro de emprego para me inscrever, fiz umas compras que necessitava, ali no bairro, e tudo. Até que somos informados que o sistema informático está em baixo e que não se prevê hora de retoma.
Um pai e filho começaram-se a exaltar, desataram aos berros com os funcionários, fazendo acusações que ali ninguém trabalhava e eram todos uns parasitas. Estava tão difícil acalmá-los que chegaram a chamar a polícia com medo que os senhores começassem com agressões físicas para com os funcionários.
A verdade é que juntamente com outros utentes, acabei por ter de me ir embora sem ser atendida. No final de tudo, nem sequer os dois senhores apresentaram uma reclamação.
Ficam algumas dúvidas quanto à eficiência de um serviço totalmente dependente de um sistema informático fraco e da dedicação dos funcionários para tornar o atendimento mais célere.
Voltei outra manhã em que tudo decorreu com muita eficiência.
Talvez haja mesmos dias de azar, e também que a nossa disposição ajude a criar dias de azar.

3.10.07
Descobri...


Alguém ouviu na radio... e gostou muito! Depressa no messenger me pediu para em casa lhe fazer o download. Desconfiado, acedi. Rapidamente os pelos dos braços se eriçaram quando os primeiros acordes sairam nos headphones. Música após música... o tempo passou. Acabei por viajar até à infância dos meus avós!
Beirut consegue aproximações sonoras à eletrónica ( The Magnetic Fiels) cruzada com musica cigana dos balcãs (Boban Marković). Depois da segunda música é dificil deixar de ouvir.
Poderia colocar aqui uma das músicas, mas acho que ao alimentar o bichinho da curiosidade, faço com que no final, a descoberta seja melhor.

2.10.07
Conversas de rua...
- Olha para aquela vergonha!!
- Mas o teu sobrinho também anda de mão dada com o Michael do Fernando.
- Desculpa!! Mas isso é diferente!

1.10.07
Moedas no chão
Sei que passear na rua é para mim um exercício incrível de creatividade e raciocínio, tal como o duche, penso em montes de coisas, tomo decisões, dou à luz a novas ideias. Sei também que converso muito sozinha, quem passa por mim deve achar que sou um pouco maluca.
Dou-me conta desta concentração especialmente quando encontro moedas no chão, já são tantas as que apanhei! Sim eu não as deixo ficar no passeio, mesmo que sejam só de 1 cêntimo. O destino delas cruzou-se com o meu, não sei de onde vieram nem para onde vão, sei que nesse momento passaram a ser minhas e é como se me sentisse mais importante por entrar na história daquela moeda que tanto deve ter para contar.

Para rezar pelos pobrezinhos
"A nova Igreja de Fátima custou 80 milhões de euros, o dobro do inicialmente estimado."
Expresso

Eu li bem! 80!!

Vamos fazer umas contas.
Se pensarmos em habitações de 75 m2 com um custo de 1250 €/m2 temos um custo de 11250€ por habitação. Dimensões e custos para uma habitação social a roçar o luxo em Portugal. Se pensarmos que a igreja até conseguia uns acordos camarários e tinha uns terrenos à "borlix". Tcharam... trocavamos a nova igreja por nada mais do que 7100 apartamentos sociais.
O que faz com que tivessemos alojados 7100 familias. Multiplicando o número de familias por 4 elementos por agregado familiar, teriamos mais de 28000 pessoas realojadas.

Eu sei que é pura demagogia. Mas para demagogia, com demagogia se paga!



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