4.2.07
À procura
No referendo do próximo dia 11 muitas pessoas, como eu, continuam à procura da melhor resposta para o que nos é perguntado. Talvez até já tenham o sentido do seu voto definido, mas continuam, ainda assim, com dúvidas sobre qual será o melhor caminho.
Como é que esta questão coloca tanta gente tão competente da nossa sociedade em fileiras opostas? A concepção da vida e da liberdade entram em colisão neste assunto e quando assim é, é preciso optar por uma escala de valores. Por isso respeito quem vai votar em qualquer dos sentidos.
Continuo com dúvidas porque dos argumentos mais badalados – sobretudo pelo “Sim”, para o qual me inclino – não emana uma vontade clara de encarar o aborto como um problema da sociedade que deve ser combatido, certamente não com penas de prisão, mas combatido com medidas efectivas de apoio à mulher e ao casal.
Sou sensível ao argumento de que o “Sim” pretende criar um direito que pode ser eticamente discutível. E digo eticamente, já que se as leis não devem impor convicções morais, têm de espelhar uma ética mínima para a convivência em sociedade. Sou sensível ao argumento de que se o “Não” ganhar será difícil oferecer algum tipo de apoio às mulheres que encaram a possibilidade de abortar pois se a ele recorrerem têm a justiça contra si.
De facto, o que está escrito na pergunta que nos será colocada é se concordamos com a despenalização do aborto em determinadas circunstâncias, o que é diferente de uma liberalização. Mas se nada mais for feito além de oferecer essa possibilidade no SNS ficamos àquem do problema. Algumas vozes do “Sim” não ajudaram, fazendo logo contas ao que custaria fornecer esse serviço no SNS. Porventura não foram feitas contas para os apoios que devem ser dados a quem, apesar das dificuldades, decide levar uma gravidez até ao fim. E aí há uma opção do Estado que não é eticamente inócua. Muitas pessoas reconhecem que mesmo considerando o aborto contrário à ética que deve reger a sociedade, a sua criminalização não faz sentido. Recusam no entanto que o aborto seja a única solução que a sociedade oferece a quem tem dificuldades em levar uma gravidez até ao final.



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