1.2.07
Ânimo
O anfiteatro está ali encravado numa parte do edifício, que construído para convento é, há já muito tempo, um hospital.
Às escuras e muito juntos uns aos outros. Quase demasiado.
Ele, um médico antigo da casa. Convidado desta aula. Meu desconhecido. Chegou atrasado e desculpou-se.
Deu uma aula absolutamente espectacular onde apresentava os dados pouco a pouco e nós tínhamos de participar. Responder ao que nos desafiava.
Eu sou sempre muito calada nestas coisas de anfiteatros e plateias. E detesto que assim seja.
E os meus colegas arriscavam respostas, naturalmente em tom de pergunta ou de talvez…
E o professor dizia “afirma ou pergunta?” e antes que a pessoa respondesse ele sorrindo dizia “afirme!”. E pela aula ele defendeu “Comprometam-se! Vá comprometam-se com a vossa resposta! Compromete-se?”
Ele encorajava-nos, acho que nos queria destemidos, bravos, audazes, arrojados!

E continuava… “Não digam «distensão», juntem-lhe um adjectivo! Juntem sempre um adjectivo às vossas descrições!”. E ria-se divertido, contente, com os adjectivos que iam surgindo.

E com sinceridade disse “o erro é extremamente pedagógico”.

Fiquei aterrada com a parte médica. Escrevi na crítica que nos pedem (prática em todas as aulas deste ano) qualquer coisa como “Para além da fantástica lição de medicina, foi também uma enorme lição de humildade para a nossa (ou minha) ignorância. Um bom estímulo para mais procurar aprender. Muito obrigada.”

E ficou por aqui, para mim, para tudo, tantas vezes pensado e nunca assim dito, o “COMPROMETAM-SE”…




imagem antiga... lembra-me quando me atirava dos baloiços em movimento. coração a bater disparado antes do salto, mas saltava.



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