21.1.07
E há sempre uma canção para contar


Eu adorava este anúncio.
Hoje procurei-o nem sei bem porquê.
Talvez porque me lembra o nosso carocha (que era amarelo) e as viagens a quatro (ou a cinco, com o cão). Lembra-me de estarmos tostados pelo sol, já ao fim do dia lá dentro, a olhar para o mar. Lembra-me as fotografias que tirámos nesse dia.
Lembra-me as viagens... a viagem aos picos da Europa onde queríamos tanto ver neve mas acabámos por tomar banho no Cantábrico.
Lembra-me as sestas ao sol, embalada pelo rolar do carro, no “galinheiro” (lugar das malas no interior dos carochas). Lembra-me a minha irmã que dormia sempre. Lembra-me de como lutávamos por estarmos as duas deitadas mas sem nos tocarmos por causa do calor.
Lembra-me que cantávamos muito e fazíamos caretas para os carros atrás. O gosto por ser eu a levar os mapas.
Lembra-me que nos riamos porque o pai e a Joana sentiam a pestilenta flatulência do prince e nós as duas não.
Lembra-me o café… isso de outras viagens. O frasco de Nescafé dentro de uma meia às riscas e de tomá-lo no amanhecer das mais diferentes estações de comboio da zona D de interrail.

Lembra-me que me acontece muitas vezes esta viragem da tristeza para a confiança, por um motivo bem pequeno, por um café, por uma paisagem ou uma luminosidade que parece dizer “vai correr tudo bem”.



(título: Fotografia, Antonio Carlos Jobim, Ray Gilbert)



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