5.1.07
chá de limão
Por vezes ele entra para o lado de cá da porta.
Não bate e não pede autorização. Na cara dele vemos os olhos pequeninos e o sorriso de uma boca fechada.
Traz um limão na mão e percebo muito mal o que diz. E ele diz pouco.
Sabemos o que quer. Uma caneta que faça “click-click” e se não gosta da caneta não aceita, não refila. Damos outra até que goste.
Por vezes traz uma flor, roubada e bem (como diz a música).
Quando lhe negaram a caneta… alguém que não quis perceber o ritual, viu ser-lhe retirado o limão. Sem zanga mas sem presente.
Vai-se embora como entrou.
Quem não conhecer o centro de saúde achará estranho a recorrente presença do limão nas secretárias das 4 médicas que ali trabalham.
Recebemos com doçura e, uma vez por outra, com o limão fazemos o chá que bebemos todas as manhãs, numa cozinha que lembra a cozinha de avós. Nessa cozinha contaram-me a história de quem muito nos visita.



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