13.10.06
"E enquanto inventas espaços novos"
Um terrível esforço para a concentração. Naquele momento sei que distrair-me um pouco equivale a perder a ligação entre as palavras que conheço, entre as frases de onde consigo perceber ideias. Ainda assim não consigo evitar algumas fugas, o pensamento tende a voar. Lá fora põe-se a noite... o que será o jantar? Amanhã o dia vai ser melhor que hoje?
Ela fala arrebatada. É exigente, quer que aprendamos com pormenor. Fala de assuntos de que gosto... política, cinema, povos e culturas diferentes, expressões da linguagem, as histórias das palavras e dos verbos. Escreve no quadro.
Volta a nós de olhos azuis bem abertos, sabe o nosso nome e quer que digamos a nossa opinião.
A terrível sensação que queria dizer muitas coisas, discutir, contar das minhas descobertas e esbarra tudo nas palavras, na junção delas em qualquer coisa que faça sentido… não um sentido qualquer e sim, exactamente, aquele que quero!
Numa língua que não domino encontro a dor de cabeça de um dia inteiro. E no entanto, mesmo na língua que conheço não consigo perceber porque há dias em que tudo desanima.



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