21.9.06
Amor-cão
uma_imagem_gira

À mesa. A propósito de nada. Que é quando as histórias sabem melhor contaram-me esta.
Era uma cadela cor de cão (sei que ele queria dizer com isto: castanha), muito simpática e pequena. Esta cadela teve cachorrinhos. Sobravam dois num dia em que levaram a cadela para longe dali. Quem a levou tinha-se enamorado dela e, pedindo às suas donas, elas acederam àquela oferta pedida.
A cadela portou-se mal. Matou um pavão. Escondeu-o num sofá ao fundo das escadas, por baixo de um pano. Encontraram-no uns dias mais tarde, seguindo um estranho carreiro de formigas.
O novo dono devolveu a cadela e levou um dos cachorros. Mas antes de o poder levar assistiu à cadela vomitar mais de um kilo de comida. Ela havia comido tudo aquilo à pressa antes de sair de casa (coisa nunca acontecida). Pareceu querer oferecer aos filhos, ali abandonados uns dias atrás. Mas eles estavam ofendidos, viram-lhe as costas. Fugiram dela.
Pois a cadela voltou a comer tudo. Zangou-se também.
Um cachorro foi embora na carrinha do homem. Ficou o outro. E aquela mãe e aquele filho continuaram amuados. Evitavam-se. Rosnavam-se.
Houve então a noite passada. As mulheres daquela enorme casa fecharam os portões não encontrando este filhote de cão. Choveu a noite toda e toda a noite o cãozito ganiu. Só de manhã o encontraram encharcado, gelado e triste do lado de fora do portão (sorte não ter sido atropelado). Aquelas meigas mulheres pegaram nele e colocaram-na na casota da mãe-cadela. Disse uma delas “eu não sei o que aconteceu entre eles ali, nem o que lhes ia naquelas cabecinhas mas olha para eles agora...” Então, o cachorro voltara à rua muito limpo e contente. Desde então, mãe e filho, brincavam como só dois cães conseguem. Uma delícia de se ver... dizem.

(foto de Elliott Erwitt, só porque lhe acho graça)



HaloScan.com