5.7.06
Ontem, finalmente, vi Hotel Rwanda.
Perguntaram-me hoje se consegui dormir depois de o ver (que aliás é uma razão para muitos se recusarem a ver este filme).
Eu dormi muito bem. Porque no meio daquela chacina, daquela barbárie, daquele desespero houve um homem que com toda a sua simplicidade salvou mais de 1200 pessoas. Porque ele queria proteger a sua família mas foi muito mais gente que lhe pediu ajuda. Porque ele aguentou enquanto pôde a elegância e a inteligência para ganhar tempo, conseguir comida, conseguir quem guardasse aquelas pessoas (porque a única coisa que os mantinha vivos era estarem dentro de um hotel de quatro estrelas). Porque ele ofereceu o que seria a última bebida à mulher no telhado do hotel, dizendo que tinham tido uma vida muito boa. Riram-se os dois de confissões inconfessadas. E, depois disso, abraçou-se aquela mulher, a sua mulher, pedindo-lhe que saltasse do telhado com os seus filhos quando as milícias chegassem, que não os deixasse vê-la morrer primeiro… e que morrer desfeito por catanas era uma coisa horrível demais.
Àquele homem foi oferecida protecção, mas seria apenas para ele… E ele chorou e gritou “Dê-me um tiro, mate-me a mim e à minha família que já nada me fere”.
Dormi bem porque aquele homem tranquilo teve a coragem de não abandonar a sua gente (tutsis e hutus).
Dormi bem porque há muitas pessoas que têm a enormíssima coragem de mudar o curso da história, de renegar tudo o que é “vidinha”.


o verdadeiro Paul Rusesabagina

Hoje acordei com o coração apertado… Porque pensar e escrever sobre estas coisas não chega. É muito pouco. É nada.
Que farás, Inês?



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