20.7.06
Forma ateia de olhar uma oração
Chamou-nos de parte e disse-nos “vocês as duas ficam responsáveis por todas as orações durante as 7 semanas”. E eu pensei apenas, “porquê eu?”. Durante um ano inteiro nunca me tinham pedido nada nesse sentido. E ele continuou dizendo que teríamos de escolher um tema geral que se dividisse em 7 partes. Pensando em propostas que os outros, à vez, tornassem concretas... em 2 dias de cada uma das 7 semanas. E eu continuava a pensar “porquê eu”. E não consegui esperar, perguntei. E ele explicou porquê nós as duas.
Tentei descansar-me “é como um campo de férias” mas cada tema tem de durar 7 dias, duas paragens mais demoradas dentro desses 7. Assustei-me outra vez.
E ele explicou a importância que tudo aquilo teria para o grupo, que teríamos de ser atentas ao que se estiver a passar em cada altura, para que a nossa proposta não seja cega. E que aqueles momentos são muito importantes para perceber quem está bem, para nos equilibrarmos uns com os outros.
Pensei já à noite em casa, no silêncio do demorar a adormecer... É como um campo de férias... e o meu desafio, que defino para mim mesma, é não recorrer a nada que já conheça e que já tenha utilizado, porque também quero novidade para mim.
O sono começava a fazer correr as ideias... que diferença faz a oração de um outro grupo qualquer que se senta para ler um texto ou ouvir uma música que alguém gosta, faz sentido e apresenta? Claro que para quase todos eles deste grupo, Deus estará nas suas palavras. E eu acho bonito mas não consigo sentir assim. Como diz uma amiga minha dela mesma, é qualquer coisa que existindo está demasiado lá no fundo, demasiado pessoal para se falar.
E então qual será a diferença? Se o texto, a letra de música ou a proposta em nada tem de ser diferente entre aquele espaço e outro qualquer onde haja vontade de crescer, onde fica a diferença? A única que encontro até agora é o silêncio. Porque o silêncio pode ser muito longo porque ninguém tem de falar... e quem falar falará no silêncio. E naquele momento não se vai interromper, não se vai discutir, não se vai argumentar. Cada um tem o seu espaço só. Tempo. E isso, falando como uma ateia que assiste a uma oração, dificilmente se encontra outros espaços que o façam.



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