15.7.06
Filme pela noite fora
Era uma estrada atravessando campos e um casal viajava de carro. Ela estava convencida de que aquele era o caminho.
Ele não. Perguntou a um senhor que caminhava ao longo da estrada.
Era aquele o caminho. Era o início do filme e mais por preguiça do que tinha de fazer do que por vontade de ver um filme fiquei… era italiano.
A cena seguinte era numa aldeia junto ao padre. Ele ia casá-los, tudo bem, mas queria saber que imagens tinham eles do casamento. Eles ficaram surpreendidos, para casar era preciso dizer aquilo?

Então pensaram e ela começou… Quando vejo patinagem artística acho tudo muito bonito e mágico. Gosto muito de ver. Eles patinam sobre lâminas, sobre um chão escorregadio e gelado e no entanto nada parece importunar o encanto.

O rapaz riu-se. Disse que nunca tinha pensado numa imagem para o casamento. Mas ao ouvi-la lembrou-se que também gostava muito de ver patinagem, mas que pensava sempre que a música estava desajustada, faltava-lhe romance, harmonia.

E então estavam a casar-se. O padre pede-lhes que repitam alto os votos do casamento, junto a uma igreja cheia, e depois do texto normal “prometo ser-te fiel… excepto uma ou outra vez, porque toda a gente sabe que isso traz nova chama ao casamento. Lá haverá vezes em que te tratarei mal mas toda a gente sabe que o tempo passa e o amor mirra e a vida…” Uma grande conversa que sou incapaz de reproduzir, até que o pai da noiva, depois da perplexidade de toda a audiência (filmada em grandes planos) diz, “Por favor pare com isso!!!”. E o padre dá uma gargalhada e diz “Finalmente que alguém me manda calar!”. E começa então a dizer percentagens de casamentos que não dão certo ou que têm as tais escapadelas dizendo que não os quer enganar, não lhes quer dizer que isso não acontece e que não lhes poderá acontecer.
Desce para junto dos convidados, os noivos viram-se para trás (de frente para as pessoas), sentam-se e o padre pede aos convidados que contem a história daquele casal. E eles contam, amigos, pais, etc. Por ser inesperado, por ser espontâneo teve um resultado magnífico.

O filme corre e torna-se surpreendente. Não contarei, porque estraga e porque eu tirei coisas para mim e só para mim.
Queria só dizer que o padre pergunta à audiência se todos se responsabilizariam pela felicidade daquele casal… E a audiência vai dizendo que não é possível “se nem pela felicidade própria nos podemos prometer”… E então, sempre gentil e desconcertante, o padre manda toda a gente para fora da igreja pois se o casamento é apenas dos dois ficarão apenas os dois, a festa seguir-se-á com todos.

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Casomai



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