11.6.06
cuidado
O tempo que se passa a olhar pelo pequeno quadrado transparente. Mais para a esquerda, mais para baixo. Aproxima, não tanto, afasta um pouco. Volta-se a corrigir o enquadramento, um pouco mais para cima. Sentimos um certo peso na mão, não muito, seguro. Vemos como está a luz, corrige-se a abertura pensando na profundidade que queremos registar. Se é uma pessoa temos de saber que se ela se mexe pode desfocar e por isso a velocidade tem de a acompanhar, nem mais rápido nem mais lento. Se é uma pessoa esperamos com calma que faça um gesto, um sorriso, um olhar para longe ou para nós e, num olhar rápido a todos os valores anteriores registamos. Aparece um painel preto, rápido, e naquele momento podemos adivinhar se sairá o que queremos. Depois espera-se, ainda que meses, espera-se e será bom um dia poder revelá-las e lembrar o tempo que levámos a tirar aquela fotografia. Temos uma relação com ela. De cuidado.

Recebi uma máquina fotográfica analógica. É em segunda mão, de alguém que não conheço mas que gosta muito de fotografia, o que me agrada ainda mais. Estimada continuará a viajar. Pormenor ou paisagem.




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