27.6.06
poesia
A poesia é a vida? Pois claro!
Conforme a vida que se tem o verso vem
- e se a vida é vidinha, já não há poesia
que resista. O mais é literatura,
libertinura, pegas no paleio;
o mais é isto: o tolo dum poeta
a beber, dia a dia, a bica preta,
convencido de si, do seu recheio...
A poesia é a vida? Pois claro!
Embora custe caro, muito caro,
E a morte se meta de permeio.

Alexandre O'Neill


E o que é mais bonito em ler e descobrir poesia é descobrir a nossa vida nela, o que nós gostariamos de saber dizer mas não temos o dom.

A POESIA É A VIDA? POIS CLARO!
CONFORME A VIDA QUE SE TEM O VERSO VEM
EMBORA CUSTE CARO, MUITO CARO.

Sabe bem reler.

!
Lembrei-me, sem querer (é o pensamento a fugir para onde apetece), que tudo o que adoro pôr numa mala é tudo o que pesa e nada do que enche.
- Botas que me fazem os pés muito grandes e estão cada vez mais feias. Sei que me darão bom andar (ficam sempre ao pé da mala mas seguem calçadas)
- Máquina fotográfica (pesada, sim).
- Caderno.
- Livros que sei que não terei tempo de ler mas é uma traição deixá-los.
- Estojo de canetas muito cheio. Porque são escolhidas a dedo, porque o x-acto é muito útil.
- Canivete.
- Estojo de costura (que serve sempre para o que não é costurar).

25.6.06
Decidido
Está decidido! Dia 10 de Julho começo a tomar Mefloquina! Apesar de todos os terríveis efeitos adversos que este antimalárico causa com frequência e das 4 vacinas que vou ter de tomar estou mais contente do que com todos os prémios que poderia ganhar em qualquer concurso!

(Nota: a primeira ideia que me veio à cabeça foi "mais contente do que com um grande prato de batatas fritas e um ovo estrelado!", mas temi que não percebessem a dimensão da alegria.)

23.6.06
Pessoas e autocarro
Há sempre aqueles que gostam de entrar primeiro, mesmo tendo sido os últimos a chegar à paragem. Aqueles que acham que a idade é um posto e para tudo tem direito. Não empurram mas metem-se à frente insidiosamente.
Há outros, sempre muito defensores dos seus direitos que arremessam o guarda-chuva ou o saco das compras mais pesado à cabeça de quem se atrever a mudar a ordem na fila.
Já sentados há quem fale muito alto como se o mundo inteiro estivesse interessado na sua história. Atrofiam as ideias daqueles que gostam do autocarro para esvaziar a cabeça, não pensar em nada, aliviar do transito… esses às vezes esquecem a paragem.
Há muita gente que viaja insegura no autocarro “ai e se aparece a paragem e eu não estou já na porta, ai” Parece que dizem estas palavras enquanto se começam a agitar 3 paragens antes, arrumam as malas e os casacos, respiram mais rápido, mexem o rabo no banco. Não sei porque é que há tanta gente com o problema de dizer para quem lhe trava a saída (por estar sentado no lugar junto ao corredor) “Vou sair na próxima paragem, pode deixar-me sair?”. Não, a pessoa tem de adivinhar daquela vibração o que têm de se levantar e dar passagem. Finalmente aquele que quer sair vai com muita pressa para a porta, atropela, pisa, afasta toda a gente até que alguém mais impaciente diz “Também vou sair na próxima paragem!!”.
Outros, aqueles que levam o rei na barriga para todo o lado, pensam “Eles que esperem! Não me ponho a caminho da paragem antes que pare!” E lá fica o autocarro toda à espera que a gorducha passe desde o último lugar do autocarro até à porta.
E também assim, podemos tirar simples características das pessoas. Sem abusos, claro.

22.6.06
Lusco Fusco
Asynchronous LUSCO-FUSCO session : : : : : 21/06/2006 - Worldwide

Plymouth, UK - 21h31 - Fishing ramp in front of the Waterfront
Birmingham, UK - 21h34
Edinburgh, UK - 22h02
Coimbra, Portugal - 21h07 - South bank of the Mondego, between Sta Clara bridge and the rowing club
Vienna, Austria - 20h57
Paris, France - 21h57
Mayenne, France - 22h10
Los Angeles, US - 20h07


Celebrating the summer solstice at the northern hemisphere... during twilight.

Convidaram-me para o que seria um "churrasco". Depois já se dizia "barbecue" e eu dei o desconto embora não goste da palavra. Dava-lhe um "quê" de sofisticado que me parecia improvável. Só já do outro lado do rio, junto ao grelhador ainda apagado é que percebi que seria uma festa de "Lusco Fusco". Parece que o gato fedorento já ultrapassa fronteiras e no dia do solstício de verão fomos alguns em Coimbra mas bastantes por várias partes do globo. Por mim recomendo completamente. Claro que é condição essencial os 5-7 minutos de pura diversão mas mas é também necessário que NÃO haja abre caricas, pão para toda a gente, guardanapos ou música decente. O Lusco Fusco é bem divertido com as mãos bem gordurosas, um rádio roufenho e a mais bela vista da cidade.

20.6.06
loiça e pessoas
Dei por mim a olhar a forma como lavava a loiça. Com muita calma e muito pormenor. Como se não houvesse tempo, nem espera, nem nada. Não que chegasse a ser gosto, mas também não era impaciência. Apenas ele e a loiça. Uma relação por aqueles momentos respeitada.
Outros há que a lavam com inquietude Ela bate uma na outra e faz barulho de rapidez.
Há quem a lave com preguiça. Também com desleixo. Missão cumprida.
Por mim, conheço quem a lava com desastre, lá vai um copo (e um ar atrapalhado)!
E assim, podemos tirar simples características das pessoas. Sem abusos, claro.

uma_imagem_gira

solidariedade
«Os trabalhadores da fábrica de Saragoça (Espanha) da General Motors (GM) decidiram tomar uma posição junto da empresa, afirmando que não querem receber a produção do modelo Combo na indústria espanhola, se isso implicar o encerramento da unidade portuguesa da Azambuja. Segundo o porta-voz da Comissão de Trabalhadores (CT) da fábrica de Azambuja da GM, esta posição foi aprovada na semana passada, ao mesmo tempo que os funcionários da fábrica espanhola decidiam realizar, hoje, uma greve de duas horas por turno, em solidariedade com os operários portugueses do grupo.»

(Público online)

18.6.06
Uma frase
"desejar-te que possas reproduzir a intensidade e dedicação com q foste criada."

Levei a frase comigo. Num e-mail escrito à família de onde aquela que foi pequena, de franja em cabelos claros saí agora, definitivamente, do ninho. Criará o seu e aquela frase, que era para ela, veio comigo. Porque se foi ela a única que partilhou a barriga comigo aquelas palavras servirão para mim. Não apenas quando se sai do ninho. O que somos virá sempre, também, de onde viemos, de quem nos trouxe.

11.6.06
cuidado
O tempo que se passa a olhar pelo pequeno quadrado transparente. Mais para a esquerda, mais para baixo. Aproxima, não tanto, afasta um pouco. Volta-se a corrigir o enquadramento, um pouco mais para cima. Sentimos um certo peso na mão, não muito, seguro. Vemos como está a luz, corrige-se a abertura pensando na profundidade que queremos registar. Se é uma pessoa temos de saber que se ela se mexe pode desfocar e por isso a velocidade tem de a acompanhar, nem mais rápido nem mais lento. Se é uma pessoa esperamos com calma que faça um gesto, um sorriso, um olhar para longe ou para nós e, num olhar rápido a todos os valores anteriores registamos. Aparece um painel preto, rápido, e naquele momento podemos adivinhar se sairá o que queremos. Depois espera-se, ainda que meses, espera-se e será bom um dia poder revelá-las e lembrar o tempo que levámos a tirar aquela fotografia. Temos uma relação com ela. De cuidado.

Recebi uma máquina fotográfica analógica. É em segunda mão, de alguém que não conheço mas que gosta muito de fotografia, o que me agrada ainda mais. Estimada continuará a viajar. Pormenor ou paisagem.


9.6.06
última
Entrei pelo curso numa sala com ar velho que gostei. Parecia as faculdades de alguns filmes e eu senti que crescia.
Pela sala entraram os dois primeiros professores que conheci e tiveram dois discursos que deixaram a sensação de asco e de "onde me vim meter".
Hoje, no silêncio ensonado da minha manhã, senti um arrepio. Pela primeira vez dei-me conta que teria hoje a última aula do curso.
E a aula aconteceu e eu, ao contrario de tudo o que eu poderia jurar, comovi-me ao chegar a casa. O professor voltou a contar-nos de como acredita que os médicos podem tornar-se peças de mudança no mundo sem que isso tenha, necessariamente, a ver com a medicina e muito menos com vencimentos. Ainda falou que "alguém" dali tinha falado dele a uma revista de índole cristã e que ele estava a escrever "com todo o gosto" um texto sobre estas coisas que ele nos diz. E eu reconheci-me naquele alguém e fiquei na dúvida se ele saberia que era eu. Penso que foi a forma que encontrou de agradecer o convite.
Na última aula uma mistura terrível de medo e alegria. O medo pelo que agora se segue assusta-me muito. Alegria porque destes 5 anos algumas coisas ficarão.

7.6.06
o Papa em Auschwitz e o abandono de Deus
Um excerto da crónica de domingo de João Bénard da Costa:

«(...) a 28 de Maio, o "Papa alemão" celebrou missa, diz-se que para 900 mil pessoas, em Cracóvia. Mas a imagem que irá ficar desta visita não será por certo a de um homem de branco que sabia possível – ou que acreditava possível – a libertação dos seus compatriotas. Bento XVI já não chegou nem como libertador nem como arauto dessa libertação, da qual aliás, pela sua própria nacionalidade, dificilmente seria o símbolo vibrante que o seu antecessor pôde ser. Agora, a imagem do Papa foi sobretudo a imagem de um homem só, na terrível solidão de Auschwitz. Se, de 1979, recordamos, primordialmente, a festa e a explosão de alegria a custo contida, de 2006 recordaremos, mais do que o Papa em Cracóvia, o Papa em Auschwitz. Nas nossas memórias futuras, não o veremos, como João Paulo II, imerso na multidão, mas sozinho e inclinado, no pórtico do que simbolicamente assinala o maior horror que a humanidade conheceu.
(...) depois daqueles momentos em que o Papa rezou sozinho, levemente agitado pelo vento, junto ao muro dos fuzilamentos, as palavras supremas de Bento XVI foram aquelas em que disse (cito dos jornais): "Num lugar como este, as palavras falham. No fim, só pode haver um terrível silêncio, um silêncio que é um sentido grito dirigido a Deus: porquê, Senhor, permaneceste em silêncio? Como pudeste tolerar isto? Onde estava Deus nesses dias? Por que esteve Ele silencioso? Como pôde permitir esta matança sem fim, este triunfo do demónio?"
Que o Vigário de Cristo na Terra – ou aquele que crê e que muitos crêem ser o Vigário de Cristo na Terra – se dirija a esse mesmo Cristo, Deus Nosso Senhor, para Lhe perguntar por que ficou silencioso, onde estava, como tolerou aquilo, é talvez o que de mais ousado e abissalmente radical me lembro de ter ouvido da boca de um Papa.
Todos conhecemos os paradoxos sobre Deus, que se é Todo Poderoso não é Todo Bondoso ou se é Todo Bondoso não é Todo Poderoso. Uma célebre passagem dos Irmãos Karamazoff foi citada nos últimos séculos vezes sem conta e vezes sem conta nos atiçaram com a história do Grande Inquisidor ou com a morte de Ivan Illich. Mas essas dúvidas, essas interrogações abissais, vinham de fora para dentro ou das margens para o centro. Em Maio de 2006, em Auschwitz, a questão veio do próprio Centro e a terrível pergunta sobre o silêncio de Deus foi a terrível palavra de um Papa.

Mas não podemos dizer que foi Bento XVI o mais terrível interrogador. Dois mil antes dele, na Cruz, Aquele que ele representa interpelou Deus – que Ele também era – da mesma maneira: "Eli, Eli, lamma sabachtani?" ("Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?"). E nunca ninguém encontrou resposta para essa pergunta impossível, em que o próprio Deus se sentiu abandonado pelo próprio Deus. A quem, ou com quem, falava Jesus Cristo na Cruz? Quem O ouvia ou quem O não ouvia? Quem não O podia ouvir ou quem não O queria ouvir? E a nossa única fuga perante estas terríveis questões é a que consiste em responder que todas elas são vazias de sentido, pois que nada que se diga sobre Deus pode ter sentido. Como escreveu Simone Weil: "Caso de contraditórios verdadeiros. Deus existe, Deus não existe. Qual o problema? Tenho a absoluta certeza que Deus existe, no sentido em que tenho a absoluta certeza que o meu amor não é uma ilusão. Mas tenho a absoluta certeza que Deus não existe, no sentido em que tenho a absoluta certeza que nada de real se assemelha ao que posso conceber quando pronuncio esse nome. Só que o que não posso conceber não é uma ilusão."
(...) Mas voltemos ao mistério de Deus com Deus. Não é dele ainda que nos fala S. Paulo (II, Cor, 12, 7-10) quando disse aos Coríntios que por três vezes pediu a Deus que dele se afastasse? Mas Deus lhe respondeu: "A minha Graça te basta. Porque o meu poder se manifesta na fraqueza" ("virtus in infirmitate perficitur", como diz a Vulgata).
"Se Deus existe, odeio-O", diz uma personagem de Bergman quando a querem fazer aceitar, na morte do amado, a vontade de Deus. Será blasfémia? Quantos não terão dito, ou sentido o mesmo, no horror de Auschwitz? Mas foi nesse horror – aprendi-o há bem pouco tempo – que uma rapariga de vinte e sete anos, que mais procurou Auschwitz do que lhe fugiu, escreveu esta coisa enorme, tão enorme como as palavras do Papa: "Se Deus deixar de me ajudar, eu estarei aqui para ajudar Deus."

Refiro-me a Hetty Hillesum, uma jovem holandesa que só conheço de passagem e de passagens, e que morreu em Auschwitz a 30 de Novembro de 1943. Não morreu a odiar Deus, não morreu sequer a interrogar o seu silêncio. Morreu a escrever (são das últimas palavras do seu diário) "que talvez não haja uma diferença assim tão grande entre estar dentro ou estar fora do Campo". O que é que isto pode querer dizer é para mim tão misterioso como as palavras de Simone Weil.
Mas, recentemente, contaram-me mais. Dois meses antes, quando os alemães a levaram de Westerbork para Auschwitz – a 7 de Setembro –, conseguiu atirar da janela do comboio um bilhete postal escrito a um amigo.
Quem mo contou, disse-me: "Pensa nos mil acidentes materiais que podiam acontecer àquele rectangulozinho de cartolina sem qualquer valor, abandonado em tempo de guerra, junto a uma linha de caminho-de-ferro. Pensa nos mil acasos necessários para que alguém apanhasse esse postal e o fizesse chegar ao destinatário (um homem muito mais velho, paixão da vida de Hetty, que ela deixara doente e fraco na Holanda natal). Graças a esse gesto, de alguém que nunca se saberá quem foi, é-nos possível ainda hoje ler esse postal, onde, entre algumas palavras de amor, Hetty diz que deixaram cantando o campo de Westerbork.
Foi cantando que morreu em Auschwitz? Quem sabe? Sabe-se é que ela escreveu que "a gente não quer reconhecer que, chegados a um certo ponto, já nada se pode fazer, mas só ser e aceitar". Onde estava o Senhor para Hetty a 30 de Novembro de 1943 em Auschwitz? Não conto esta história, como podem pensar, para amenizar esta crónica ou para a angelizar. Muito pelo contrário. Conto-a para que o terrível silêncio e as terríveis palavras nos ensurdeçam e emudeçam na "treva mais que mística do silêncio".
»

Leio e emudeço. Faço silêncio. "Eli, Eli, lamma sabachtani?"

6.6.06
simplicidade
«Pessoas complicadas não realizam nada de jeito.»

4.6.06
24 anos e 1 dia depois
Há 24 anos e 1 dia os meus pais escreveram, num caderno em que escreviam os dois, “FESTA”. Aquela palavra anunciava o nascimento da segunda filha.
Eles não sabiam se o cabelo dela ia ser aos caracóis ou liso como o da irmã. Não sabiam se ia ter sardas e se iria partir a cabeça aos 3 anos num vaso de flores. Não sabiam se a iriam ter de chamar “ideafix” enquanto ela endiabrava pela casa. Não sabiam se seria difícil obrigá-la a experimentar cada novo sabor com insistência ou se ela não saberia nunca os cheiros das coisas. Não saberiam se ela ia gostar tanto da irmã e dos primos… dar-se-iam grandes correrias pelos pinhais, subidas e descidas de árvores, pés na lama, tentativas de mungir cabras e alguns acidentes com pneus a arder?
Não saberiam se teria uma grande amiga chamada Inês no infantário ou se elas se chamariam “piriquita e catatua” por se perderem a rir juntas todos os dias e chorarem por não gostarem de se zangar. Não saberiam se ela teria muito medo no primeiro dia da escola primária e muita impaciência por levar a mochila (que já tinha sido da mãe) com todos os livros e nunca mais começar a aprender a ler (já todos sabiam menos ela).
Não sabiam se ia encontrar grandes amigos logo desde pequena. Se iria acampar dezenas de vezes, fazer muitas coisas que os assustariam, mas crescer sempre com outros… a saber que havia formas de falar diferentes, caminhos para a escola muito mais longos que o dela, pessoas que ficavam em casa porque nevava e que discutiam com muito afinco as ideias mais incríveis. Na saberiam se passaria muito anos sem dizer uma palavra em reuniões até começar a dizer algumas.
Não saberiam se guardaria tanta admiração pelos os avós, como os levaria com ela vida a fora. O avô João a endireitar pregos ao sábado de manhã e a falar-lhe ao ouvido na missa, a avó Palmira a fazer sopa de feijão e a ser uma mulher muito corajosa, o avô Mateus a contar histórias, a dizer-nos do que era bem e do que era mal ou a ressonar no sofá.
Não tinham como imaginar se ela iria ter sempre demora nas amizades, se seria a alguns que reservaria partilhar a vida.
Naquele dia não contariam que ela vomitasse antes das orais difíceis e que teria dúvidas enormes sobre a vida profissional. Também não afiguravam que o melhor remédio para todos os choros e todos os nervosismos fosse fazê-la andar, andar, andar… sem importar por onde, desde que tivesse companhia.
Não saberiam dos seus gostos.
Não podiam supor se seria difícil defini-la de forte ou de frágil…

Não imaginavam que quando fizesse 24 anos iria à praia com amigos (que já não vivendo em Coimbra tinham vindo passar o dia com ela) que iria comer açorda de gambas, com um bom vinho e música ao vivo… numa esplanada, a suspirar a férias e a rebolar entre a areia e o mar.
Não podiam imaginar que aquela palavra “FESTA” se repetiria tão bem no seu dia, 24 anos depois.

1.6.06
Crianças Invisíveis
Título original: All the Invisible Children
De: Mehdi Charef, Emir Kusturica, Spike Lee, Kátia Lund, Ridley Scott, Jordan Scott, John Woo, Stefano Veneruso

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"Um trabalho de conjunto que juntou produtores italianos, a UNICEF, o Programa Alimentar Mundial e um grupo de realizadores à volta de um manifesto de apoio a crianças em vários pontos do planeta, entre os quais Brasil, China, Sérvia, e Estados Unidos da América. Os filmes, sobre crianças que lidam todos os dias com as maiores atrocidades, são assinados por realizadores de renome, como Emir Kusturica, Spike Lee e John Woo." (in cinecartaz, público... que sabe-se lá porquê não recomeda)


Estreia hoje. Eu já vi o de Kátua Lund, quando o Luís Nascimento ("nós do cinema") esteve agora em Coimbra e era fabuloso.
Espero com impaciência que chegue à cidade.

Dizer do bem
Hoje foi a última aula com uma das professoras que mais me ensinou nestes 5 anos. Sim, é uma regente no meio de quase só regentes. É uma militante, não descansa, não ignora, não deixa para depois... se está de férias e vê crianças à solta nos carros ela faz sinais, ela conversa com os pais, explica que não os quer ter à porta das urgências uns dias depois a dizer "salve-me o meu filho". Ela defende crianças maltratadas nos tribunais, enfrenta os advogados que contra os seus juramentos defendem a mentira. Conta histórias incríveis e ri-se connosco, quase tímida.
Ela dá aulas por gosto e com intrepidez.
Hoje acabou. Disse em poucas palavras (também coisa rara entre os meus professores) que se comove sempre um pouco ao ver mais um grupo de alunos a seguir as suas vidas. Que na nossa profissão não basta estudar e saber e trabalhar... também é precisa muita sorte e era isso que ela nos desejava. Muita sorte.
Obrigada Professora Jeni.



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