24.5.06
Profissionais
Ele só nos veio dar 3 aulas. Num ritmo alucinante, oscilando entre a gargalhada mais tímida e o olhar mais furioso deste mundo, ele passou a aula de hoje a provocar-nos!
Passava slides e mais slides com fotografias e atirava-nos à cara que se aquelas crianças não tivessem tido o diagnóstico em minutos (muito difícil entre o mortal e o mais banal) e o tratamento imediato "teria morrido", "teria morrido", "teria morrido"... e por vezes (mesmo admitindo os próprios erros... que é preciso uma coragem rara entre os meus professores) dizia "esta morreu"... "morreu".

E eu estava petrificada. Depois ele disse que, como em tudo, há dois tipos de profissionais os "treinados" que cumprem regras, hábitos, rotinas, que decoram o típico descrito nos livros e as raridades deixam morrer. E os profissionais "formados" que estudam, exigem, procuram, preocupam-se, observam e voltam a observar, sofrem... e esses podem encontrar as hipóteses difíceis e raras. Esses salvam mais vidas.
E depois voltou à carga "Infelizmente muitos de vocês nesta sala serão apenas treinados".
E toda a gente concordou (e ele não gostou, pediu que dissessemos que não). E toda a gente concordou com um sorriso de "eu serei formado mas sim, os ranhosos dos meus colegas serão treinados".
Senti-me a única cheia de medo de vir a ser "treinada". Com a agravante de não ter memória. Vontade de desaparecer dali.



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