15.5.06
por esse mar
Ele falava devagar. Parecia ter a sabedoria de um sábio mas num sorriso de menino. Sabedoria que vem do mar, do saber estar sozinho. Sozinho dias e dias e semanas a fio. Sozinho no mar… entre o falar com o piloto automático do barco (a quem deu um nome e se portava mal) e os headphones a ouvir Sinatra ou Nat King Cole enquanto o mundo desaba em água contra o barco. E depois também pode cantar, pode escrever, gosta de desenhar. Um caderno (lembra-me outras viagens).
Falava de como não pôde dar a volta ao mundo quando tinha 17 anos e isso o ter zangado muito com aquele mundo. Mas que com isso percebeu que há a paciência, o trabalho, o viver noutros sítios, o crescer, o esperar. Um filho que nasce e torna a solidão das viagens mais difícil. Questiona-se. E um dia fará a volta. Porque nada disso significa esquecer.
Ricardo Diniz é velejador e muitas outras coisas.
Escreveu no Comtextos que sai esta semana!



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