26.5.06
Graffiti
Muito se tem discutido sobre os graffitis, principalmente aqueles que se escrevem nas paredes da respeitabilíssima universidade. Com os anos habituei-me à sua presença, à novidade que alguns traziam.
Agora estão todos a branco. A propósito de preservar os edifícios e, dizem outros, por causa da candidatura da Alta de Coimbra a património mundial da UNESCO. Nas pedras dos edifícios agora já não se lê nada. Quadrados brancos num fundo amarelado. Tela nova que a reitoria ali deixa para quem se irrita e volta a pintar.
Agora já não se lê aquela frase que divertia "amo-te caneco!". Mas essa era recente. Eu tenho pena que já não se leia:

"Atenção caloiros: Este é um novo mundo, aqui estuda-se a um nível superior, aqui a ordem é inovar para melhor, ensinar para preparar, e se fores bom aluno serás recompensado.
Atenção caloiros: É TUDO MENTIRA!!!"

(estava na faculdade de matemática, junto às escadas que descem para o estacionamento)

"Nós somos melhores que os americanos"
(estava no departamento de antropologia)

"Respeito pelos direitos humanos dos povos ÍNDIOS"
(estava na faculdade de medicina, com um desenho de um índio a fumar)

"Palestina aos palestinianos"
(já não me lembro se ela bem assim, estava no departamento de física)












(estava por baixo de um conjunto daquelas estátuas horrorosas que povoam as faculdades)

António Marinho e Pinto (em palavras citadas pela "A Cabra" - jornal universitário") disse:

"escrever nas paredes da sua universidade é uma regalia dos estudantes de Coimbra, mas é claro que nelas há inscritas mensagens desagradáveis e faz-se censura"

"a candidatura da cidade tem mais a ver com aspectos materiais e culturais do que com as próprias construções em si, até porque se olhássemos apenas para o tipo de arquitectura da Alta, esta jamais poderia ser elevada a património mundial"

"Repugna-me que façam pinturas nas paredes da Sé Velha, Sé Nova, na Biblioteca Joanina, mas não me repugna nada que o façam nas paredes da Faculdade de Letras ou da Biblioteca Geral, pois são locais que classifico como mamarrachos do Estado Novo, que nunca serão monumentos, a não será à estupidez"











Esta imagem estava em frente à faculdade de medicina, no departamento de química e quem tirou esta foto usou-a para propor que pensássemos nos nossos projectos de vida (tínhamos 15 anos, quem ainda sabe quem é que aparece na foto?). Já lá não está.

É verdade que há graffitis muito foleiros, mas também é verdade que os inteligentes, os revoltados, os gritos de vontade de mudança têm muito mais impacto assim. E gostava de ver como assuntos tão diferentes se misturavam num local que assim era mais sentido. Pensar porque é que alguém se lembrou de aqui escrever aquilo! Paredes cruas e austeras não são muito da minha simpatia.
(curioso que as imagens destes graffitis que encontrei na internet estejam em páginas de estrangeiros)

Confesso que a minha frase preferida estava na faculdade de letras e dizia:
"ISTO JÁ NÃO É O QUE NUNCA FOI".



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