22.5.06
fé e política -- homenagem a D. António Ferreira Gomes
Anselmo Borges prestou, no domingo 14 de Maio, uma boa homenagem a D. António Ferreira Gomes, o bispo do Porto que afrontou o Salazarismo. Revisitando um diálogo entre Ferreira Gomes, Óscar Lopes, Luís Moita e Frei Bento Domingues, fala da novidade transformadora do cristianismo, de como ele pode fazer a religião transcender o "ópio do povo". Começa na religiosidade popular de Fátima, fala de fé e transcendência, para terminar, como era inevitável, na política. Deixo um recorte, e convido à leitura do texto disponível na página do DN:

«A atitude religiosa aparece, portanto, no movimento do transcender do homem para o transcendente. Onde se encontra então o que é próprio do cristianismo?
D. António afirmou que poderíamos (..) aceitar que o cristianismo não é religioso, na medida em que o Deus revelado em Cristo não serve para nos solucionar problemas insolúveis e os homens têm de arranjar-se autonomamente sem apelarem para Deus.
O Deus cristão não é ópio nem um deus ex machina com que se negoceia promessas. Ópio e promessas - isso é o religioso que está para baixo. "A religião cristã, entretanto, o limiar diferencial da religião cristã começa quando alguém se debruça sobre o outro, quando alguém se volta para o que o transcende, seja o outro neste mundo, seja Deus enquanto o Outro absoluto, sabendo que a relação ao Outro absoluto é exactamente também a relação ao irmão."
O amor a Deus e o amor ao próximo são um só e têm de exprimir-se também na política. "Nenhum homem responsável da Igreja poderá dizer que não quer saber de política ou que nada percebe de política."
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