21.5.06
em movimento
"Movimentos Perpétuos", tributo cinematográfico a Carlos Paredes. Um filme feito para acompanhar a música do Paredes. Ao contrário das bandas sonoras que são feitas para acompanhar os filmes respectivos, este é um filme feito para acompanhar as músicas. Edgar Pêra leva-nos numa visita ao mundo de Carlos Paredes em 17 movimentos. Com muita música, conversas do artista e testemunhos de gente próxima. E imagens, muitas imagens a fazer de "banda visual". "Um diálogo entre uma guitarra e uma câmara de Super8" diz o CineCartaz. Com muito movimento, como não podia deixar de ser. Deixo 17 recortes:

um «Ele entrava em palco com aquele ar de quem pede desculpa de existir.»

dois «Desculpem lá o tom, mas às vezes entusiasmo-me e vou conversando como se estivessemos no café.»

três Uma serenata feita ao empregado do hotel que não pôde assistir ao concerto.

quatro
paredes

cinco «Ter gente dentro da guitarra.»

seis Gostava da gente, das pessoas das ruas, dos bairros, dos que iam "à terra" nas poucas férias que tinham, de descobrir de onde vinha um assobio tão sentido do pedreiro que trabalhava na esquina.

sete «A guitarra fala na vida.»

oito
paredes

nove »O Paredes não tocava apenas por instinto e génio natural, tinha uma gramática própria, exprimia-se, no sentido pleno da palavra, pela guitarra.»

dez Trabalhou como arquivador de radiografias no Hospital de São José - até que, já nos anos 80, um ministro mais atento o promoveu, à sua revelia, a um cargo onde não tinha que fazer rigorosamente nada.

onze
paredes

doze «Já me tem sucedido fazer as pessoas chorar enquanto eu toco... E eu não compreendia isto, mas depois percebi que é a sonoridade da guitarra, mais do que a música que se toca ou como se toca, que emociona as pessoas.»

treze «Acredita que, se os outros afirmam algo, é porque como ele faz, dissecaram em conversa prévia com os seus botões antes de botarem sentença. E como, para Paredes, seremos sempre mais do que ele capazes de, após reflectir, ver correctamente a essência das coisas, temos razão e ele vai pensar nas novas perspectivas que lhe abrimos, no que 'aprendeu' connosco» (Expresso, 21.3.92)

catorze
paredes

quinze «Quando eu falo de pequena música, pretendo apenas qualificar música que, estruturalmente, é simples e que pode até ser, do ponto de vista estético pouco apreciada, mas que não deixa de ser música. Se eu toco para várias pessoas que me ouvem com atenção, é porque lhes estou a dar prazer. E mesmo que esteticamente seja uma música menor, em termos de qualidade, não tenho que me envergonhar dela, não acha?»

dezasseis Um homem profundamente humano.

dezassete Ouçam a música e não é preciso mais leituras.



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