19.4.06
não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer
Talvez pelas vezes que oiço “eu não quero filmes que me deixem triste”.
As mais variadas pessoas.
Neste tempo penso que devo saber das coisas, chateia-me o cor-de-rosa que as pessoas têm a mania de pôr das coisas, como se fosse tudo bonito. Perco a paciência. As coisas bonitas são para ver, apreciar… ouvir falar delas enjoa, estraga.
Mas também me chateia a alienação de quem prefere a diversão, “entretém-te filho, entretém-te!” e então os filmes são de acção, os concertos são para curtir bem bebidos, os problemas sérios são os nossos.
Há também quem se descanse arranjando explicações para o que acontece de mal culpando qualquer coisa que não a si. Refilam muito estes. Tornam-se azedos.
Outros suspiram tristes mas afastam tais ideias, “uma pessoa não anda aqui para sofrer, não é?”.
Pode-se também rir de tudo, brincar com tudo…
Pronto. Eu prefiro saber. Se um filme como “o pesadelo de Darwin” me mudar, muito bem; se duas aulas sobre maus-tratos em crianças me dilacerarem por dentro mas me fizerem estar muito mais atenta, se saber de vidas corajosas me traz esperança, se a verdade me tornar mais lutadora algo se terá ganho. Não perco o gosto pelas coisas boas, antes pelo contrário! Só não quero viver numa alcofa apalermadamente feliz.

Ps- título: josé mário branco, FMI, pois.



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