1.3.06
ser dono do seu tempo
«Olhava à sua volta e via as pessoas a lutarem contra o tempo. Todas a queixarem-se de que não tinham tempo. E tantas, tantas, milhares, milhões a serem escravos do tempo, o tempo a escorrer sobre elas, a devorar-lhes tudo, a esvaziar-lhes a vida de sentido e sonho. Dedicava-se então a encontrar novas formas de trabalho. Mas o trabalho se, para a grande maioria tinha de ser aguentado como condição de subsistência, para as classes dominantes (do ter, do poder e do saber) tornara-se uma aplicação acrítica da ideologia do "sempre mais". E aí encontrava uma servidão que, sabia-o pelo fatalismo do mimetismo sociológico, se iria propagar e alastrar até às camadas mais destituídas de sociedade. Revoltava-se e procurava saídas, conceptuais e práticas. Defendia então ferozmente o direito de cada um "ser dono do seu tempo", o que equivalia a cada um ser "dono do seu trabalho".»

Maria de Lurdes Pintasilgo, in "Palavras Dadas".



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