17.3.06
a muralha
Descemos do autocarro. Os dois com os olhos no chão. Chovia e tentávamos proteger a cara. Ele à minha frente. Eu atrás. Uma fila de duas pessoas. Eu carregava uma mala horrível (daquelas que nos fazem maldizer o dia) e ele transportava as suas costas, já curvas. Só lhe vi as costas quando parou. A fila de duas pessoas parou. Entre a parede e a estrada. Fiquei em quadrado com o velho à frente e a mala atrás. Parou muito parado. Chovia muito picado. E eu tentei ver o que fazia aquele ocasional companheiro de jornada. Espreitei, espreitei. Molhava-me e a paciência ameaçava explodir. Detrás daquela muralha corcunda, agora mais corcunda ainda por via da invisível tarefa, surgiu um chapéu-de-chuva aberto. Seguiu viagem. A fila andou. Eu fui pela chuva um pouco molhada mais, mas divertida.



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