24.2.06
microcosmos
“As cidades universitárias são uma espécie de microcosmos em que não se vive uma vida bem real…”
Ela começou a falar assim. Disse mais uma frase e o assunto acabou. Era uma crítica.
Uns dias mais tarde outras pessoas disseram que aqui nunca se passa nada.
Uma outra rapariga disse… “sabias que o (…) agora passa cinema?”
Um dia alguém disse que estava a morar já fora da cidade de tão longe que ficava.
Esta ideia de cidade universitária nunca me agradou. Menos ainda quando cheguei à universidade, na cidade onde sempre vivi. Porque para mim esta cidade nunca foi a universidade.
Mas sei que assim é para muitos que aqui chegam vindos de fora. Como se toda ela girasse à volta daquela torre. Como se todos aqui os esperassem e os acolhessem. Como se um mundo todo novo e preparado aqui estivesse.
Mas os anos passam. O círculo em vez de alargar parece que só encolhe. Muita gente passa aqui 5 anos da sua vida e tudo o que se afasta do círculo da universidade é demasiado longe, todos os locais que não se conhecem nos jantares de curso ou nas primeiras noitadas não se chegam a conhecer, os jardins maiores, os locais junto ao rio, os cafés onde se pode beber todos os tipos de chá, os caminhos a pé, as livrarias, os restaurantes mais aconchegados não se descobrem… É como se as antigas muralhas ainda ali se elevasse.
Para estas pessoas nunca se passa nada nesta cidade. Não há oferta nenhuma. Mas as salas de teatro estão vazias sempre, o cinema (que não Lusomundo) está vazio sempre (e aquele local passa cinema desde há mais de 30 anos), os lugares mais bonitos estão sem ninguém. E aquele longe, fora da cidade, fica a 5 minutos de autocarro do centro. E quase todas estas pessoas têm carro próprio. E dinheiro, bastante dinheiro para poderem gastar com estas coisas. A frase é sempre “eu não sou de cá…” Como não fazer por se conhecer a cidade onde se vive? Será que é porque se pode adiar?
E aí tenho de concordar que se torna um microcosmos… talvez para sempre recordado com saudade… ainda por cima!

(nota posterior: reconheço as devidas injustiças deste texto)



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