16.2.06
"Mergulho em Mim -- lugares que nos habitam"
«Sinto-me espalhada no ar, pensando dentro das criaturas, vivendo nas coisas além de mim mesma.» (Clarice Lispector)

«(...) Existe muito ruído no tempo que temos para sermos apenas connosco. Músicas mal ouvidas: sem atenção à letra. Cinema de distracção: sem um diálogo ou uma imagem que ecoe cá dentro. Um texto lido à pressa, sem nos questionar. Alguém que fala apaixonadamente, sem nada retermos (nada voltaremos a ter). Sento-me com a frase. Uma paisagem à minha frente e, sem querer,já não vejo a paisagem, ou oscilo entre me deliciar com ela e entrar em mim. Como numa estrada com curvas onde seguimos calados.
"Também me surpreendo, os olhos abertos para o espelho pálido, de que haja tanta coisa em mim além do conhecido, tanta coisa sempre silenciosa." (C. Lispector) Do que conhecemos de nós, para a estranha imagem ao espelho. E dessa pálida imagem, para nós novamente: cores vivas. Do corpo, onde já viajámos (e as viagens são sempre incompletas) para nós, para essa primeira qualidade que só encontramos nos nossos silêncios povoados. Silêncios povoados das nossas palavras, dos nossos tempos, dos nossos trilhos invisíveis. Essa outra qualidade que nunca encontramos, nunca nos pertence em pleno, além do conhecido. TEMPO PESSOAL.»
Começa assim o novo número (o 44!) da revista "comtextos". O editorial assinado pela Inês é claro na proposta: descobrir o inefável que transportamos em nós. O tempo pessoal: o mais fundo de nós próprios, o nosso crescimento, as nossas memórias, os nossos tempos e contra-tempos, os que nos são mais queridos. Nós.
Ainda não li, mas estou ansioso. Só preciso de arranjar um bocadinho de tempo...



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