15.2.06
descobrir
Do outro lado da mesa, aquela cara muito escura chamou o meu nome. Logo olhei reconhecendo a sua voz. Aquela cara muito escura e dentes muito brancos parou um pouco e só depois disse "Inês, estava à espera que fizesses perguntas hoje". Ele estava dizer-me que achava que eu tinha perguntas para ter feito ao nosso convidado daquela noite. Olhei para ele e disse-lhe que naquele dia não estava com vontade de fazer perguntas, só me tinha apetecido ouvir.
E achei que a resposta era suficiente. Mas ele continuou a olhar para mim. E repetiu a frase, repetindo o meu nome. E eu sorri-lhe (porque as pessoas que me conhecem numa altura de perguntas ficam à espera que eu seja sempre assim). E olhei para o outro lado, pronta para voltar à conversa onde tinha estado... Mas voltei a espreitar aquele rapaz de palmas de mãos muito claras e voz quente. E ele continuava a olhar para mim. Esperando. Parecia.
Suspirei porque na minha aceleração me "irritou" um pouco aquela calma toda (e também a pergunta que me deixava à toa). E foi aí que um gelo me caiu em cima. Foi aí que percebi, só aí, que em S. Tomé vou ter de despir esta velocidade.



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