4.2.06
Consenso
Há uns dias soube que Maria de Lourdes Pintasilgo dizia não gostar do consenso.

Lembrei-me de imediato de dezenas de reuniões. Fosse numa sala fria no sótão de uma casa grande, casa de muitas correrias de jogos “mata” ou, também conhecido, “piolho” com um limão… Fosse junto ao rio enquanto todos os outros gozavam o tempo livre. Fosse numa roda grande com um tecto de estrelas ou dentro de uma tenda com os ouvidos e os corações à escuta (lá foram eles dormiam?). Reuniões de crescer e ver nevar lá fora, já depois das devidas corridas de mãos e nariz gelados. (Podia aqui lembrar as reuniões de alunos mas essas não são boas de lembrar aqui, nunca foram). Fosse nestas novas reuniões onde o que queremos é percorrer 4000km de distância para Sul… As várias reuniões onde já trabalhei, não uma nem outra vez, trabalho continuado, de conhecer as pessoas, de discutir muito com os amigos. Sair com vontade de chorar ou então no fim do nervosismo ir beber um copo!
Tantas reuniões e o que se procura sempre é o consenso. É esse o meu treino. Coordenar para que todos façamos o melhor. Preparar uma ordem de trabalhos para que tudo tenha ali lugar. Atenção para que todos possam participar. Exigência.
Depois lembrei… De como é horrível quando toda a gente aceita. Quando toda a gente diz sim a uma proposta… Quando sentimos que alguém foi o único a lembrar-se de algo e então todos concordam. Nem entusiasmo nem rebeldia. Nem garra nem valentia. Diz-se que sim.
Esse consenso é horrível. O consenso da Preguiça. É também horrível quando se desiste de argumentar. É o consenso da Exaustão.
Como muitas outras coisas só é bom quando envolve um pouco de perigo.



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