13.1.06
Pintar paredes
A propósito de um licenciado e pós graduado que andar a pintar as paredes do serviço onde trabalha segundo as suas habilitações…
Emerge a discussão.

Muitos dirão que pintar paredes não faz parte das suas competências, que é uma indignidade fazer aquele trabalho, que é uma vergonha que os seus patrões lhe peçam isso. E hasteariam bandeiras, falariam em fazer circular abaixo-assinados, denúncias em jornais e televisões, o ultraje atirado à rua em vozes fortes e punhos no ar.

Outros dirão que é um parvo. Que só faz aquilo porque estúpido. Afinal já pertence ao quadro nem tem o que temer! Ainda por cima é sempre pontual quando ninguém o controlaria… Há gente que nasceu para apanhar!..

Outros torcerão o nariz, com algum desprezo. Se calhar já tinham reparado que a pintura era necessária mas passam ao lado, sacodem o pó da tinta, incomodados, dos seus casacos. Far-lhes-á jeito o arranjo mas têm sempre assim uma crítica enjoada com tom amarelado como... “que confusão que aqui vai…”

Ele anda contente. Não se incomoda nada com o que achem. É do esforço de todos que o serviço poderá ficar melhor, mais agradável às tarefas exigentes que ali todos têm de fazer. O dinheiro é pouco e não se acomoda a esperar para sempre que haja como pagar a alguém.

Pois eu penso todos os dias se na profissão que, em princípio terei(gosto de aqui abrir os parêntesis à palavra dúvida), se haverá espaço para fazer coisas que não tenham nada a ver! Se haverá tempo para fazer com os meus colegas coisas loucas. Porque a loucura, essa loucura, é uma delícia. E eu gosto de pinturas, gosto de electricidade, gosto de carpintaria, gosto de lavar, gosto de me ver toda suja depois de um dia a pôr as coisas melhores! Que se lixe o diploma que faz as pessoas limpinhas e aprumadas.



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