6.1.06
Olá bailarina
“Olá bailarina” e aquela voz aveludada sentou-se, pesada, ao meu lado. Eu estava a ler umas coisas enquanto esperava. A sensação era que toda a gente olhava para mim, porque numa sala de espera espera-se que se leia revistas ou que se veja a telenovela ou não se faça pura e simplesmente nada a não ser observar os outros. Eu mexia-me um bocado demais porque as folhas caíam e as canetas também… de quando em quando. Sorria e deixava que me as apanhassem agradecendo.
“Olá bailarina” e antes de me virar reconheci aquela frase dirigida a mim há mais de 17 anos. Era assim que ela me chamava sempre quando eu passava a correr da casa de banho (a casa era um lugar mágico, eu e a minha grande amiga ali podíamos rir a “bandeiras despregadas” sem ninguém nos dizer que tínhamos de parar porque a outra Inês ficava demasiado vermelha). Nós passávamos a correr e ela dizia “olá bailarina”. E eu tinha um certo medo dela, é que era muito, muito grande e estava sempre sentada à porta daquela sala.
Hoje falei com alguém que realmente não conheço.

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