6.1.06
o backbone da globalização
"Backbone" quer dizer espinha dorsal. Os mais familiarizados com as coisas da Internet já devem conhecer a expressão. É usada para designar a rede principal, o núcleo de suporte de uma rede de dados. Tal como a nossa coluna vertebral suporta todo o nosso esqueleto, o backbone de uma rede é o seu suporte central.
Vem isto a propósito do meu novo trabalho, sobre o qual queria aqui escrever já há uns tempos. Estou a investigar coisas difícieis de explicar relacionadas com as telecomunicações por fibra óptica.

uma_imagem_gira

Pouca gente sabe que o que está por trás de toda a facilidade em comunicar pela "net" são pequenos filamentos de sílica, o mesmo material da areia e do vidro, com espessuras inferiores aos nossos cabelos.
A história não é muito longa mas o trabalho científico produzido tem sido imenso. A revolução que nos permitiu passar a comunicar por luz começa nos anos 60 com a invenção do laser. Nos anos 70 surgem as primeiras fibras ópticas capazes de guiar a luz a distâncias superiores aos cabos eléctricos. Foi a partir dos anos 80 -- há apenas 25 anos -- que a nossa capacidade de comunicar à distância começou a aumentar vertiginosamente. Nessa altura, a capacidade de transmissão era inferior à actualmente existente em qualquer pequena rede doméstica. Desde então essa capacidade tem duplicado a cada ano que passa, tendo aumentado cerca de 20 milhões de vezes! Hoje é possível transportar numa só fibra 3.2 biliões (milhões de milhões) de bits de informação por segundo (cerca um milhão e meio dos nossos conhecidos acessos ADLS) a milhares de quilómetros de distância.

uma_imagem_gira (mapa de tráfego na rede global de telecomunicações em 2005)

Não é por acaso que o nosso mapa geopolítico e o mapa do tráfego na rede a nível global apresentam coincidências. As riquezas da globalização circulam também dentro das fibras ópticas. E aí as desigualdades são notórias e mostram que informação é mesmo riqueza. Mas se é pelas fibras que circulam os milhões de dólares do comércio bolsista mundial, com a sua quota-parte de especulação, é também por elas que passam os programas informáticos desenvolvidos por engenheiros indianos e chineses, outrora demasiado distantes dos pólo de desenvolvimento de software. A globalização deu-lhes a hipótese de uma vida melhor.

Apenas algumas dezenas de anos permitiram-nos ligar aos nossos antípodas à velocidade da luz. Literalmente à velocidade da luz. Muito está ainda para vir. Saibamos aproveitá-lo para nos aproximarmos uns dos outros.



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