19.1.06
Calendários
«No começo da era cristã ainda vigorava o velho calendário romano, dito "juliano", fixado por Júlio César. Este continua a ser utilizado pela Igreja ortodoxa, que festejou, ontem, o Natal. Em 532 d.C., a Igreja, segundo uma proposta do monge Dionísio, o Pequeno, decidiu contar os anos a partir da suposta data do nascimento de Cristo, 753 depois da fundação de Roma. Jesus deve ter nascido alguns anos antes, mas o cálculo do sábio monge impôs-se progressivamente no mundo. Em 582, o Papa Gregório XIII recuperou alguns dias de atraso e este calendário gregoriano impôs-se por toda a parte, excepto nas festas religiosas de algumas Igrejas do Oriente.
A Revolução Francesa procurou descristianizar a contagem dos anos, criando o calendário republicano. O primeiro ano começava no dia 22 de Setembro de 1792, início da Primeira República. Não durou muito tempo e foi suprimido por Napoleão. A Comuna de Paris tentou restabelecê-lo em 1871, mas a era cristã conquistou o mundo inteiro na época colonial.
Muitas religiões conservam o seu próprio calendário, que em certos países substitui o cristão. Os Estados islâmicos, por exemplo, mantêm o calendário muçulmano, que começa a 16 de Julho de 622, dia em que o profeta Maomé trocou Meca por Medina. Os outros calendários religiosos têm sobretudo um valor litúrgico e servem para a celebração das festas. É o que acontece com o calendário judaico, que parte da criação do mundo por Deus, fixada em 7 de Outubro de 3761 a.C., ou com o calendário budista, que, na Indochina ou no Sri Lanka, começa no dia da lua cheia do sexto mês do ano 544 a.C., a suposta data da morte do Buda histórico.
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«(...) fazia-nos bem viver com uma dupla consciência: a da racionalidade, que nos deve acompanhar sempre como um alerta nas nossas paixões, e a da insuficiência da racionalidade para compreender o universo como misteriosa criatividade.»

(Frei Bento Domingues, "Público" de 9 de Janeiro)



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