22.12.05
Primeiro dia deste natal
Andavamos a duas por aqueles corredores. Tão diferentes de todos os outros. Os vidros com muitos desenhos antigos, bonitos, que convidam a ficar a ver os seus pormenores, que convidam a respirar fundo.
As batas brancas tinham bonecos. Passeavamos apenas. Brincando aqui e ali. Observando apenas também.
Chegaram muitas crianças todas com a mesma roupa e posicionaram-se muito direitinhas (algo antiquadas) nos degraus. O maestro parecia um pinguim porque falava com o pescoço muito para cima (e as suas palavras eram fáceis).
Cantaram (não muito bem, alguns com um certo ar de "tirem-me daqui", como é natural).
Várias crianças de pijama foram assistir. Alguns pais comovidos por aquele presente (=fazer-se presente) aos seus filhos (e a eles também embora não o soubessem).
Chegou o Gonçalo. Uma criança de 7 anos, internado há 7 anos. Nota-se na sua cara feliz que é muito doente e várias criança do coro desabaram, começaram a chorar, saíram ao colo de médicas daquela sala.
Pela primeira vez senti o arrepio do Natal este ano. Ali estava a festa do Natal, sem dúvida.
Cá fora as médicas explicavam às crinças em lágrimas que não temos de ser todos iguais, que as crianças são diferentes umas das outras assim como os adultos. Que todos temos de ser felizes à nossa maneira e que o Gonçalo podia ser mais feliz ouvindo-as cantar.

Porto, dezembro de 2005



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