7.12.05
o anjo da História
"Há um quadro de Klee, intitulado Angelus Novus e nele há um anjo que parece estar afastando-se de algo que olha com atenção. Tem os olhos esbugalhados, a boca aberta, as asas preparadas para o voo. O anjo da história deve ter esse aspecto. Numa série de acontecimentos, vê uma única catástrofe. Acumula ruínas e mais ruínas, lançando-as aos seus pés. Ele bem desejaria parar, acordar os mortos e recompor a fractura. Mas cai do céu uma tempestade que lhe emaranha as asas e é tão forte que não consegue fechá-las. Essa tempestade impele-o irresistivelmente para o futuro, ao qual volta as costas, enquanto o monte de ruínas sobe diante dele até aos céus. Essa tempestade é aquilo a que chamamos progresso."

Angelus Novus, Klee

O texto acima é de Walter Benjamin, citado por frei Bento Domingues no domingo passado. A esperança não é pintar o mundo de cor-de-rosa: "o anjo da história vê um amontoado de ruínas precisamente onde o olhar utópico vê a génese e o carro do progresso. A concepção ascendente da esperança, rumo ao futuro, precisava de revisão. A teologia da cruz (...) apresenta-se como a tentativa de levar a teologia a assumir a agudeza e a profundidade do olhar do anjo da história, tornando-a intérprete do sofrimento humano".

Depois fala de Charles Foucault: "Não há figura do cristianismo moderno que tanto espere contra toda a esperança humana! Nunca viu sinais de futuro no silêncio a que se entregou. (...) Ele representa a Igreja que escuta antes de falar, que procura mudar antes de pregar a mudança da sociedade, que se faz pobre antes de encher a boca com a causa dos pobres."



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