26.12.05
Música
Aquela família sempre foi séria. Não fazendo muito caso da quantidade de crianças ali sempre se respeitou o silêncio. Quando se cantava cantava-se bem. Afinal a tradição e o estudo passava por coros e até um cancioneiro familiar existia.
Os Natais sempre foram com muita música, começando pelas de Natal mas depois seguindo, quase a eito, o cancioneiro.
O patriarca, ao cimo da mesa, impunha respeito e exigia afinação.
Este ano cantou-se uma música por pessoa e por prenda (que são o mesmo número, excluindo os dois pequenos) mas o patriarca já não estava lá. A sua falta é agora uma doce presença e não já uma difícil ausência como no ano anterior. Assim a desbunda foi quase total. Cantou-se cada um para o seu lado, uns cantavam "à velha na igreja", outros brincavam com a jeropiga, as crianças gritavam que não queriam mais prendas,...
A alegria era muita e isso é que conta. Apesar da minha vontade de uma certa arrumação o Natal renovou-se mais uma vez e foi bom assim.

A música mais bem cantada foi esta, talvez pela ligação à terra que todos temos.

LUAR DO SERTÃO
Autoria: Catullo da Paixão Cearense e João Pernambuco

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Oh, que saudade do luar da minha terra, lá na serra,
prateando folhas secas pelo chão.
Este luar cá da cidade, tão escuro,
não tem aquela saudade do luar lá do sertão.

Se a lua nasce por detrás da verde mata
mais parece um sol de prata prateando a solidão.
E a gente pega na viola que ponteia,
e a canção é lua cheia a nascer do coração.

A gente pia desta terra, sem poesia,
não faz caso desta lua, nem se importa com o luar.
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
leva uma hora inteira vendo a lua meditar.

Ai! Quem me dera que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra, e dormindo de uma vez!
Ser enterrado numa cova pequenina,
Onde à tarde a sururina chora a sua viuvez!



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