4.12.05
Chegar a crescido de Pedro Strecht
"Algumas coisas só se podem fazer em crescido.
Ler alguns livros, reparar noutras singularidades só se faz em crescido.
E perceber esses livros e esquecê-los de seguida, só em crescido.
Sofrer como nalgumas vezes só pode acontecer em crescido, porque antes simplesmente não há coração para isso, ou melhor, há mas ele não aguenta.
Abrir as janelas de par em par, perder o passado num rés-do-chão rente à vida (a cama do amor) só em crescido.
Ser mais tranquilo, cozer o Outono num lume brando, falar tranquilamente connosco, ouvir músicas desabrigado e escrever a saudade num refrão em silêncio (noite alta) com, a boca, os dedos os olhos, os sentidos todos e ficar, só em crescido.
Respirar o céu, aquecer o sol, beber a água toda de um rio, escrever copiosamente com tinta azul? chuva dos teus olhos palavras excessivas e tentar movê-las numa dança pela sombra que fazem no papel? dar, enfim, um ramo de flores à Primavera, só em crescido.
Mesmo que doa, e para lá chegar custa (!) ? não sabe a azedo ? só em crescido se fica mais próximo de viver a vida toda."


Não faço ideia do tempo que passou desde que tinha lido este texto. E nem sei, para ser sincera, se já aqui o terei publicado.
Sei que gosto dele. Crescer. Talvez cresça cada vez que o leio. Mas ainda falta muito para isso.



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