10.11.05
triste
Alguma calma parece regressar a França, depois de mais de dez dias de violência e vandalismo e da imposição do recolher obrigatório em algumas localidades.

Cá na nossa pacata terra, o que impressiona, dando umas voltas pelos blogues, é ver que há quem ache que não se deve procurar perceber as causas destas manifestações de violência. Como nos idos das discussões sobre o terrorismo, há logo quem diga que não há nada a perceber nem a pensar e a única solução é malhar forte e feio nos putos (porque é de putos que estamos a falar) com os casques.
Na Terra da Alegria de segunda-feira, a carta dos bispos franceses é certeira:

«(...) Devemos interrogar-nos sobre o que pode estar na génese de tal espiral de violência nas nossas zonas de grande densidade populacional. A urbanização recente, as dificuldades em encontrar emprego entre os jovens, a instabilidade na vida familiar são frequentemente evocadas.
Porém, parece-nos que a repressão e a incitação ao medo colectivo não são uma resposta à altura destas tensões dramáticas da nossasociedade. Deixem-nos sublinhar todo o trabalho que é feito quotidianamente por muitas associações e instituições com o objectivo de criar laços de solidariedade para uma vida colectiva fraternal. Muitos não baixam os braços. As escolas, as diversas instâncias de formação, os educadores, os animadores sociais devem sentir-se apoiados por todos. Sabemos ainda como pode ser preciosa a presença de pequenas comunidades religiosas nas cidades. É vital abrir às novas gerações, muitas vezes desesperançadas, um futuro de liberdade, de dignidade e de respeito pelo outro.
»

Um futuro de liberdade, de dignidade e de respeito pelo outro. Mas quando se escreve isto aparecem logo comentários a dizer que escrevemos "nas núvens". Para esses é claro -- "na terra" (em oposição às núvens) não existe moral nenhuma.



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