5.11.05
Seu Jorge enche aula magna de futuros
uma_imagem_gira

"Tem um Brasil que é próspero, Outro que não muda.
Um Brasil que investe e Outro que suga.
Um de sunga, Outro de gravata.
Tem um que faz amor e tem Outro que mata."


(Excerto de A nova música, criada com Gabriel Moura para assinalar os 500 anos de descoberta do Brasil)


"É certo que ele é actor, mas naquele momento não fingiu: na estreia lisboeta do seu espectáculo, Seu Jorge emocionou-se de verdade quando rematou a canção Eu sou favela com um discurso improvisado sobre as injustiças da pobreza: "É muito difícil na favela ter fome e ver os anúncios do McDonalds saindo na televisão", disse. De toalha branca nas mãos, recuou até ao fundo do palco e escondeu o rosto."

(Nuno Pacheco no Público de hoje)


Seu Jorge é muito expressivo e fala com as palavras da vida que viveu. Faz do concerto um alerta interventivo não querendo esquecer a favela donde veio: a favela que não procura a "diferença" precisa em vez dela de "igualdade". Faz discurso e emociona, acreditamos no que ele quer. O verdadeiro político é este: o humano.

Seu Jorge merece muita atenção pela música também, mas principalmente por tudo o que a música dele representa. É que ele é favela:

"Eu sou favela

A favela, nunca foi reduto de marginal
A favela, nunca foi reduto de marginal

Ela só tem gente humilde Marginalizada e essa verdade não sai no jornal

A favela é, um problema social
A favela é, um problema social

Sim mas eu sou favela
Posso falar de cadeira
Minha gente é trabalhadeira
Nunca teve assistência social
Ela só vive lá
Porque para o pobre, não tem outro jeito
Apenas só tem o direito
A salário de fome e uma vida normal.

A favela é, um problema social
A favela é, um problema social"



HaloScan.com