23.11.05
porque não?...
De noite, muito escuro. Não demasiado frio. Depois de conversa boa. Daquela que exige argumentar muito mas também se reconhece o que temos de comum. Despique. Amizade.
No carro para casa a música que me apetecia, bonita. A minha rua esperava-me no vendaval habitual… não conheço mais lugar nenhum na cidade onde se forme este túnel de vento. Leva tudo e agrada-me quase sempre. Furioso.
Lembrei-me de como pode ser bom o vento que se sente quando um grupo de 10 pessoas corre e pára de repente, ao mesmo tempo virando-se. Desequilíbrio, vento, o mundo parece continuar a mover-se contra nós. Lembrei-me de como é harmonioso rodar em cima de uma bola muito grande, sair numa cambalhota. Tentar o equilíbrio em cima dela. Deitarmo-nos em cima da bola e deixar ir.
Uma música pode contagiar o corpo enquanto nos dizem para rodarmos no chão em todas as direcções. Escorregar. Levantar partes de nós e poisá-las num sítio diferente. Sentir só.
É muito difícil a dissociação, um braço faz uma coisa e outro faz outra. Fabuloso quando conseguimos. Andar lunar é contrariar tudo o que aprendemos. De cabeça para baixo é uma questão de hábito, "a quem trepou a árvores não é tão difícil"… diz o francês no seu sotaque bonito. E é verdade!
Aquele sotaque pergunta o que sentimos, o que queremos comentar…
E grandes teorias de técnica e dificuldade se levantam. Em segredo comigo, muito calada, penso como há dias em que de facto não escolho aprender, deixo-me levar só. 3 horas ontem pareceram alguns minutos e estava muito bem, tranquila. Saiu e entrou muito ar em gargalhadas e desconcerto. Como o vendaval hoje ainda lá fora. Há dias em que, sem querer, escolho só brincar com as coisas que não sei fazer.



HaloScan.com