16.11.05
perplexidade
Queria escrever com mais calma sobre esse grande evento que foi o Congresso Internacional da Nova Evangelização, realizado na semana passada em Lisboa (mas não prometo, para não falhar, que seja na próxima Terra da Alegria). Para já deixo apenas uma perplexidade, partilhada por Paulo Rangel no "Público" de hoje. As citações são desse artigo, intitulado "Nova evangelização: confissão de uma perplexidade".
Como é que um Congresso que "foi - ou pareceu ser, para quem o viu de fora - um espaço de genuína interrogação e renovação das formas e dos meios de evan­gelização, em especial, de ho­mens e de povos em pro­cesso de 'descristia­ni­zação'", terminou com aquela paradoxal procissão das velas? Paradoxal porque "a linguagem e a ordem simbólica daquela manifestação religiosa - por mais ternura e afeição que pos­sa congraçar ­- parece aquém do ambiente e da oportunidade da 'nova e­van­­ge­li­za­ção'". Paradoxal porque "a procissão evoca uma tradição mais rural do que urbana, releva mais duma pas­toral do passado do que do futuro". Paradoxal ouvirmos aquelas reportagens com senhoras velhinhas devotas a pedir em voz alta um milagre para a cura das suas maleitas, atitude que nos faz esboçar um sorriso de carinho, mas que fará rir todos os que olham a fé como coisa de passado e superstição. Paradoxal porque "a lin­gua­gem usada foi estritamente tradi­cio­nalista, pouco apta a despertar os ci­dadãos hoje dispersos".



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