6.11.05
jogadores de meio campo
Eu, que sou um azelha no futebol, achei certeiríssima a metáfora de Sobrinho Simões, em entrevista a Judite Sousa, na semana passada. Dizia, a propósito de qualquer coisa, que os Portugueses têm medo de arriscar. De jogar tudo. Por isso somos mais jogadores de meio campo. Ou, mudando para outro desporto nacional, somos caçadores de espera. Falta mandar aquele grito que José Gil deixa no seu livro "Portugal Hoje, o Medo de Existir":

«Há, primeiro, que erradicar o medo da sociedade portuguesa. Conquistar a maioridade, dessubjectivando-se ao enfrentar o acontecimento. Fazer explodir a imagem de si. Porque todos nós andamos "pr'aqui" como Álvaro de Campos que dizia que "nunca conhe[ceu] ninguém que tivesse levado porrada./ Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo".»

Todos campeões em tudo. Ninguém arriscou, todos venceram... o meio campo. Falta dar-se um pouco mais, deixar a "imagem de si" de lado, deixar o medo e as (falsas) seguranças, enfrentar o acontecimento.



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