3.11.05
Dois gostos em 12 horas
12 horas da noite
Um dia grande, um dia enorme. Um dia em que escrito a tinta permanente se começa formar realidade de um sonho de inquieta meninice. Um dia de olhar muito sério para uma mulher de experiência e histórias, alguém que ensina. Olhar a pensar, estarei mesmo a sentir pela primeira vez “eu gostava tanto de ser... quando for grande!”. Um certo medo. Um dia de livros visto sem possibilidade de comprar. Verdadeira delícia de não ter de escolher. Muito de-va-gar. Dia de capoeira ao rubro. Muito cansada ligo o rádio do carro, como só faço quando estou sozinha, uma música bem alto e não faço ideia qual. Cantei muito, como só faço quando a alegria sem explicação embriaga.

12 horas da manhã
Decidida entro na feira do livro. Percorro bem rápido até ao fundo, trago comigo o livro que queria. Passo por outra estante, e espreito de relance. Paro. Dois passos atrás. Trago outro sem pensar, quase sem escolher. Numa casa que não é a minha abro-o. Tem as folhas todas ligadas. Poesia. Lá fora chove contínuo a dizer que o inverno está a instalar-se e o frio não tardará. Separo as folhas grossas e escurecidas com uma lâmina, este ritual é maravilhoso.



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