18.11.05
Contraceptivo falhado
Nota Introdutória: Este texto é profundamente machista e broncamente racista, assustem-se já as almas menos receptivas ao estilo.


Do ponto de vista do pai tudo parece estranho. Não entendo as movimentações femininas dela, aquelas ânsias. Chego à conclusão em estilo pai solteiro: nunca entendi as mulheres.

Parece que rapariga cresceu e chegou-lhe a adolescência e os desejos.
Os conselhos médicos indicaram que tomar a pílula era potenciador de cancro da mama e de desestabilizações hormonais. Pai galinha que sou, levei a sério. A saúde antes da rambóia, pensei eu, incauto fui!

Numa fase mais propícia aos instintos naturais do sexo começaram a surgir os pretendentes, alguns abnegados passavam dias e dias, chuva ou sol, tentando espreitá-la nas poucas saídas que fazia, sempre sob a presença do meu olhar atento, feroz e castrador. Tivemos várias discussões noite dentro noite fora, em que os seus chiares agudos e femininos me pareciam muito pouco respeitosos para um pai à procura de um sono recuperador.

As filhas também não percebem os pais, e o diálogo intergeracional muitas vezes não tem saída. Como se não bastasse os avós protegem a neta, dizem que já tem idade para saber de seu faro o que quer. Querem que eu a deixe tomar a pílula. O tanas é que deixo!

Certa noite saio de boa fé e a caminho do carro percebo que ela se esgueira pinhal fora com um preto. Uma fúria desmedida! Arranco no carro pronto a desancá-la em frente ao namorado e a arrastá-la para casa contra o chiar mais uivado que ela pudesse lançar. "Onde está a sociedade patriarcal dos bons costumes, que libertinagem vem a ser esta!? Só namora com quem eu quero e quando eu quiser, é demasiado nova para estas rebeldias, avarias de adolescente!" Vou o caminho todo a dizer impropérios, pronto para dar-lhe uma sova.

Quando a encontro, eis que estavam sem vergonha nem ar pecador no auge da sedução. Não queriam soltar-se, grudados. O preto nem tugia, nem mugia. Ela fez o olhar-suplicante-derrete-pais-babados. Agora está grávida! Põe-se a hipótese de aborto: ela não está em idade, nem nós temos condições de ter crianças nesta fase.

E o preto onde anda? Nunca mais o vi!

A Ginja cá continua com o período do cio a acabar, fechada em casa de castigo e desolada com saudades do namorado que a abandonou mal soube da gravidez.





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