11.11.05
Aurora.
Ruas vazias de gente, movimentos vazios de qualquer acolhimento.
Duas torres espelhadas erguiam-se para o céu. Ao lado. Um prédio nunca acabado. Ruína. Em frente. Casas com muitos buracos nas paredes e janelas muito novas. Brancas janelas.
Uma neblina fria e ao fundo, para lá do monte, o sol começava a nascer.
Grandes poças de água. Um eléctrico. Alguns carros velhos.
Estranha sensação, um conhecido cansaço da noite no comboio e a estranheza de uma cidade esperada tão quieta. Vontade de tirar uma fotografia a um homem que ao pescoço trazia uma bolsa com jornais. Lá ao fundo havia um cemitério, muitos outros à volta e ainda não sabíamos. Eram brancos também, com erva verde. Eram enormes e pacíficos. Mas nós ainda não os reconhecíamos naquele cinzento de um dia que, preguiçosamente, começa.
Já andávamos há mais de meia hora. Um polícia que nos fez rir. Queríamos um sítio onde pudéssemos dormir essa noite, queríamos poisar as mochilas, tudo o que trazíamos. Orgulhoso, no alto do seu tamanho ele levou-nos ao melhor hotel. Desceram 50 euros o preço mas não podia ser… Rua outra vez. Casas pequeninas. Tudo vazio. Lembro-me dos avançados das casas serem de madeira escura, o chão de pedras molhado. Lembro-me de me sentir bem ali. É um privilégio conhecer as cidades vazias.
Sarajevo 5 da manhã.



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