20.10.05
Take two - El monologo interior
uma_imagem_gira

El innombrable

[...] quizá sea el único, no sé, no vale nada, es cuanto sé, no soy yo, es cuanto sé, no es el mío, es el único que haya tenido, no es cierto , debí de tener el otro,el que dura, pero no duró, no comprendo, lo que quiere decir que si dura siempre, yo estoy siempre ahí, me abandoné ahí, espero, no, no se espera ahí, no se escucha, no sé, se trata de un sueño, quizá sea un sueño, lo que me sorprenderia, voy a despertarme en el silencio, no dormirme más, seré yo, o seguir soñando, sonãr un silencio, un silencio de sueño, lleno de murmillos, no sé, son palabras, no despertarme nunca, son palabras, no despertarme nunca, son palabras, es lo único que hay, es menester seguir, es cuanto sé, ellos van a deternerse, conozco eso, los noto que me abandonan, ser el silencio, un breve instante, un buen momento, o ser el mío, el que dura, que no duró, que dura siempre, seré yo, es menester seguir, no puedo seguir, es menester seguir, voy, pues, a seguir, hay que decir palabras, mientras las haya, hay que decirlas, gasta que me encuentren, hasta que me digan, extraño castigo, extraña falta, hay que seguir, acado esto se haya hecho ya, quizá me dijeron ya, quizá me llevaron hasta el umbral de mi historia, ante la puerta que da a mi historia, esto me sorprendería, si da, seré yo, será el silencio, allí donde estoy, no sé, no lo sabré nunca, en el sinlencio no se sabe, hay que seguir, voy a seguir.

(Samuel Beckett)

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Estás a parar para começar e paraste para te ouvir, riscaste, não há censuras. Foda-se! não consigo fazer isto, ouve-te, não faças barulho, o barulho do camião a passar ajudou-me a escrever: descrição, o silêncio da alma o que é que ela diz? se calhar não tenho nada para dizer como o texto do Tiago (colega de workshop), serão todos iguais ao meu, o frenesim de se ouvir, desconstruir, que raio sempre nos ensinaram o contrário. Autocarro, e se tentasses pensar num tema? Sair-me-ia qualquer coisa sobre sexo, não vou ler um texto de um pensamento meu sobre sexo, não vou ler, estou a escrever, vou ler, vou reler este texto. stop.

Há bichos na minha cabeça pequenos aos saltos, loucura, estou a endoidecer, não estou nada. Estas guerras entre mim e mim aborrecem-me, gostava de ser mais decidido, talvez não, ser decidido é chato, lá estás tu com as morais sobre o bom e o mau, pensas demais, foi o que ele (o formador) pediu, que pensasse, que escrevesse e eu quero, estou a ser capaz, tanto como qualquer outro que me ouvisse a mim, não me tenho ouvido muito, tenho feito coisas contra mim, ouvir-mo-nos é difícil e eu não sabia, ouvir-me confunde-me, o melhor é fazer orelhas moucas a mim, estou a baralhar-me. Espera, estás a dialogar, tu e tu outra vez? quantos eus? encontrar um eu, não existe, és muitos, tens que te ouvir a todos os eus. Esqueçam isso: se ouvir um dá trabalho, ouvir todos é endoidecer, a loucura outra vez, isto começou nos bichos aos saltos, serão os eus? estava consciente que queria ouvir-me, mas não era isto que estava a pensar. Será que o Freud fazia este exercício? o Freud... o Freud é que podia tentar ouvir-me e escrever-me, ou outra pessoa qualquer, alguém capaz, de que eu gostasse, se calhar não gostava de me ouvir. De loucos, pára com a paranóia da loucura! já parei mas vai voltar, tenho pensamentos a mais para a velocidade da caneta, não consigo por causa disso, estás a conseguir, não acreditas em ti, eu adoro-me, pronto não há censuras mas não devia ter escrito isto, que vaidade "eu adoro-me" ainda por cima não é verdade. Quem quer escrever verdades!? Que raio queres tu escrever? parei, é impossível não parar. Sala com as pessoas: também pararam vocês? ontem frases curtas, hoje tenho que me censurar a não meter pontuação... ele (o formador) dá connosco em doidos. A loucura outra vez, eu disse que ela ia voltar. Mas isto solta-nos, esvazia-nos, já me sinto mais livre, é do chá. Quanto estará o Benfica? toda a gente vai achar que és viciado em futebol, ontem futebol hoje futebol. E daí? gosto sim. Quando é que isto acaba? quando decidires? e quando é que dcido? agora? ainda não, deixa ir... todos nos bancos a escrever sozinhos. o que é que terão para dizer? não tem que fazer sentido, fabuloso, não há problema dizers seja o que seja, mas a minha cabeça será lida como sem sentido? e que sentido é que ela tem?! stop.

Um cigarro. Um cigarro enche-te a cabeça de fumo, mas relaxa ou as pessoas acham que sim, e se te esticasses como o Basile (colega de workshop)? olhavas para a lua, já acendeste o cigarro e não te podes esticar porque escreves. Então para quê a discussão? não sabia que discutia tanto, se calhar é agora, deu-lhe para isto a cabeça, sempre que a tentas ouvir ela vai discutir, ela não quer que a oiças. Bela ideia ir para o chão, foi o Basile, aí está um gajo descontraído ou bom fingidor, gostava de ser descontraído, tenho tentado, se calhar não somos o que queremos, somos e pronto. Tenho sido. stop.

(meu)



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