8.10.05
o que quer a Europa ser no mundo?
No seu artigo de terça-feira, no "Público", Teresa de Sousa comenta a tibieza dos líderes europeus e o populismos de alguns deles, em relação à adesão da Turquia à União Europeia (sublinhado meu):

«Desde que, em 1999, a UE colocou a questão turca na agenda, era preciso ter explicado aos europeus os fundamentos dessa decisão.
Era preciso explicar o que pode significar abrir as portas a uma grande democracia islâmica cujo destino está irrevogavelmente ligado à Europa, que quer ser parte da Europa e que está disposta a aceitar inteiramente as condições impostas pela Europa. Que é isso, também, a tradução prática das belas propostas europeias sobre a "aliança de civilizações" que os líderes europeus gostam de exibir nas Nações Unidas para esquecer logo que chegam a casa.
Era preciso ter explicado aos europeus que, se a União quer ter um papel no mundo em vez de se limitar a sofrer as consequências das mutações mundiais, tem de ser capaz de agir estrategicamente de forma eficaz. Que o seu maior desafio mundial está na sua capacidade de estabilizar as suas próprias e instáveis fronteiras e que isso se faz expandindo a democracia e o desenvolvimento. Que isso tem um custo imediato, maior do que as belas declarações pomposas, baratas e normalmente ineficazes com que a Europa reage aos problemas do mundo. Mas que pode vir a ter enormes vantagens no longo prazo para a paz e a segurança europeia, incluindo a sua segurança energética.
Era preciso ter explicado aos europeus, que vivem hoje, mais do que nunca, no medo do terrorismo, que um sinal positivo à Turquia era também um sinal positivo para a vasta minoria islâmica que vive dentro das fronteiras da União. Que isso não está separado dos esforços para integrá-las nas nossas sociedades abertas e tolerantes, minando o terreno às franjas radicais que hoje alimentam o terrorismo.
Era preciso, em suma, lideranças capazes de imprimir confiança em vez de fomentar o medo - da globalização económica, do alargamento, do islamismo.
Fica a outra questão - o que quer ser a Europa no mundo. Fechar as portas à Turquia, como deixar a Ucrânia ao abandono, reduzi-la-á a prazo a um actor menor, envelhecido, empobrecido (a globalização não pára só porque os europeus a temem), sem instrumentos políticos para influenciar as suas fronteiras instáveis.
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