15.10.05
comboio especial
"- Benfica! Ô Ô Ô Ô! Benfica! Ô Ô Ô Ô! Benfica! Ô Ô Ô Ô! Benfica! Ô Ô Ô Ô!"
(para ser cantado com a entoação devida, de preferência por grupos de mais de cem pessoas à janela de um comboio Lisboa-Porto)

Os comboios são sítios interessantes. Já vi de tudo em comboios. Hoje, uma novidade: aqui à espera do regional Coimbra-Aveiro, passa o especial da claque do Benfica a encher a estação de canções gritadas, estoiros de bombinhas, batuques de palmadas nos vidros das carruagens. De repente a estação parece pequena. Parte o comboio dos índios e a estação cresce outra vez. As claques (e não só as futebolísticas) têm destas coisas -- absorvem a solidão individual. Ampliam-nos, como se ocupássemos mais espaço. Mas não nos dão necessariamente razão e duvido que nos revelem o que quer que seja. Por isso sempre detestei as metáforas do "rebanho" para falar da fé e da Igreja. Aí, na procura de sentido, estamos inevitavelmente sós uns com os outros. Ninguém se salva sozinho, mas também ninguém se salva em claque.



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