28.10.05
Nascentia
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Disse-me um dia alguém que “Do Caos nascemos para no Caos morrermos”. Nascemos aos berros, ensanguentados, em destroços. Depois ensinamos os olhos a ver, os ouvidos a ouvir, as mãos a reconhecer, a boca a saborear e os cheiros, por vezes sem darmos por isso, a intuírem auras.

Daqui donde estou não os posso ver, condicionado que estou pelo espaço e o tempo. Há formas de os fazer presentes mas sem esses cheiros, corpos ou vozes. Ergo nas imagens que trago comigo – liberdade da imaginação – recordações que ganham tons com a distância daqueles dias. Tudo se muda na minha imaginação, transforma-se sem eu poder fazer nada contra isso. Limitações do ser, da memória e dos sentidos.

Eram gente de sangue a correr nas veias. As imagens ainda estão quentes. Eram gente jovem e bonita, nervosos por terem que dar mais de si, por terem que debater-se com barreiras, deitar abaixo bloqueios para criar novos espaços. Exigentes mas sem que isso fosse angústia. Chegavam com pedacinhos de curiosidade, tão concretos que se podiam abraçar. Pareciam chegar sempre a sorrir, era bom sentir que iam para ali com gosto.

Quando começavam os exercícios, debatiam-se com eles e podiam fazer qualquer um acreditar no mundo. Empenhavam-se a sério sem utilidade, é bom fazer coisas que não são precisas para nada – “navegar é preciso, viver não é preciso”. Talvez algumas das imagens que tenho deles já estejam demasiado exageradas pelo tempo, com tons demasiado fortes. Sentimentalóide memória.

Gostava de estar com eles, nem sequer se apercebiam do quanto me davam enquanto recebiam. E aqui não tenho o Favaios. Esta ideia de fazer da pessoa humana alguém que se anime a si própria e aos outros, que não se deixe adormecer, sempre me agradou. É um orgulho imenso acreditar no homem, que ele é capaz de mais, sempre mais.

Coração que sou, acredito que podem mudar tudo e que vão ter presente a palavra “liberdade” quando se sentirem mais desanimados. Agrada-me acreditar nisto, será que eles sabem?

Escrevem-me de lá que vão continuar a aprender uns com os outros novas formas de fazer e cuidar. Novas formas de descobrir eus e outros. Novas formas, ou as mesmas esquecidas, de inventar mundos em que acreditem. No fundo são nascimento e do Caos tudo podem construir, como dizia o Sérgio Godinho:

“O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou”


Eu, aqui, da Colômbia, acredito na incerteza deles.

250 anos...
Faz hoje 250 anos do terramoto de 1755...

faz hoje 250 anos que uma cabeça com formação superior(à época), também como 20% da nossa população licenciada foi trabalhar para o estrangeiro, realizou o maior negócio imobiliário em Portugal...

Obrigado Conde de Oeiras!

ilusão
Quando um professor universitário faz perceber às suas investigadoras que quando engravidarem deixarão de fazer parte da equipa forte de trabalho, que deixarão de ser convidadas para escrever artigos científicos, que no caso de haver poucas bolsas serão elas as excluídas...

Quando outro professor universitário fica agradado por uma aluna pensar seguir a sua especialidade mas a adverte que ali não será possível ter filhos...

Quando estas imposições se sucedem e só se dirigem às mulheres (porque todos eles são pais e foram-no na altura que bem entenderam) continuam a dizer que não há machismo?

27.10.05
Maculelê
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O Maculelê é uma dança, um jogo de bastões remanescente dos antigos índios cucumbis. Esta "dança de porrete" tem origem Afro-indígena, pois foi trazida pelos negros da África para o Brasil e aí foi misturada com alguma coisa da cultura dos índios que aqui já viviam.
A característica principal desta dança é a batida dos porretes uns contra os outros em determinados trechos da música que é cantada e acompanhada pela forte batida do atabaque. Esta batida é feita quando, no final de cada frase da música, os dois dançarinos cruzam os porretes batendo-os dois a dois.
Os passos da dança se assemelham muito aos do frevo pernambucano, são saltos, agachamentos, cruzadas de pernas, etc. As batidas não cobrem apenas os intervalos do canto, elas dão ritmo fundamental para a execução de muitos trejeitos de corpo dos dançarinos.
Se formos olhar pelo lado de que maculelê é a dança do canavial, teremos um outro conceito que diria ser esta uma dança que os escravos praticavam no meio dos canaviais, com cepos de cana nas mãos para extravasar todo o ódio que sentiam pelas atrocidades dos feitores. Eles diziam que era dança, mas na verdade era mais uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro. Os cepos de cana substituíam as armas que eles não podiam ter e/ou pedaços de pau que por ventura não encontrassem na hora.
Enquanto "brincavam" com os cepos de cana no meio do canavial, os negros cantavam músicas que evidenciavam o ódio. Eles cantavam-nas nos dialectos que trouxeram da África para que os feitores não entendessem o sentido das palavras. O maculelê pode ser feito com porretes de pau ou facas, mas, alguns grupos praticam o maculelê com tochas de fogo ou "tições" retirados na hora de uma fogueira que também fica no meio da roda junto com os dançarinos.
Actualmente a dança do maculelê é praticada para ser admirada. É parte certa na apresentação de grupos de capoeira. (texto retirado daqui)

O ritmo é alucinante! Vale muito a pena ver, cantar batendo os paus e tentar aprender, porque não?


"Sou eu, sou eu ...
sou eu maculelê, sou eu ..."
" Ô ... boa noite prá quem é de boa noite
Ô ... bom dia prá quem é bom dia
A bênção meu papai a bênção
Maculelê é o rei da valentia ..."

24.10.05
5 noites, 6 filmes
Edukadores, já aqui se falou deste filme e eu gostei muito. Tentarei estar atenta para que o idealismo não morra. Muito bonito aquele sitio para onde foram morar uns dias.

6ª FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Não há nada como sair, numa noite, um pouco contrariada porque não tinha escolhido aquele filme, não me apetecia ver uma comédia, o que eu queria ver era o seguinte. Mas para aquele tinha companhia e ofereciam cocktail no fim. Chegamos lá e o cocktail tinha atraído a cidade inteira. Não havia bilhetes e na bilheteira, não deixando hipótese à companhia, digo que sim, queremos um bilhete para o próximo! O Zé Pedro refilou durante duas horas porque acabávamos de trocar uma comédia por um drama histórico. Mas assim fomos petiscar a casa de quem fazia anos e merecia visita. Voltámos a Joyeux Noël. Começa torrencial, fazendo angústia na plateia. Torna-se uma deliciosa fábula sobre homens e a paz. Mais incrível ser verídica, em mais que uma frente de batalha da primeira guerra mundial.

Arsène Lupin, charmoso e sedutor, durante 130 minutos, desliza, salta e conquista a nossa atenção, os nossos risos e, por vezes, preocupação. O realizador Jean-Paul Salomé descreve assim: “Gostei de contar o itinerário deste miúdo que, maltratado pela vida, se faz homem e decide conservar apenas o lado ligeiro da existência. Partilho o seu fascínio pelas mulheres e pelos seus mistérios, a sua forma de encarar a vida, como um rapazito que prefere observar mantendo-se no mundo à margem da sociedade. Identifico-me perfeitamente com ele."

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30 minutos, uma sandes. Sinto-me bem pelos trocos poupados e pela sensação boa de mais um filme esperar.

Um homem viaja pela terra de ninguém na sua canoa, mostra-nos os rápidos, os lagos, as montanhas, os animais que não sabemos o nome, uma paisagem fabulosa onde pensamos querer viver para sempre. Chega o Inverno e a feroz natureza cobre tudo de neve, gela as águas, os mantimentos são armazenados em casa. No meio de uma tempestade espirro e a sala ri-se. Estava dentro do filme! Em grandes viagens de trenó pensei o tempo inteiro como ele se orientava. Mais uma vez nos quis mostrar o seu mundo. Le dernier trappeur é Norman Winther no seu próprio papel.

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Cachè: Prémio da Melhor Realização no Festival de Cannes 2005 e por isso rendo-me à minha ignorância por não ter gostado do filme. Comecei por pensar que “nunca mais acaba?” o que à partida não é bom… principalmente quando ainda muito filme rodou. Deixo-vos sem críticas para que o possam ver… talvez nem soubesse o que escrever.

Rois et Reine e só me apetecia ter um papel e uma caneta e conseguir escrever e não perder as imagens… tentarei encontrar o script da última conversa entre Ismaël (o maravilhoso Mathieu Amalric) e o filho de Nora. Explica-lhe o amor que lhe tem, um monólogo lindíssimo que fala de um amor que não aprisiona.

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A 6ª Festa do cinema francês está de parabéns... só gostava de pedir que durasse mais tempo e com menos filmes por dia! É que os filmes têm de fazer o seu caminho em nós e gosto de ficar em cada um mais tempo.

O sétimo filme foi hoje. Uns dias depois. Alice quase não tem palavras ditas, conta a história pela imagem e pela música. Comovi-me.

20.10.05
Em espelho! !ohlepse mE
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A fornada de textos que se seguem são relativos à semana de escritura creativa, workshop feito no Centro Comunitário de Carcavelos pelo formador Diego Parra Duque. No primeiro dia El humor disparatado, no segundo dia EL monologo interior (escrita automática), no terceiro dia Los microgéneros (Haiku, Guerrerias, Microcuentos, Bestiario).

.(oiraitseB, sotneucorciM, sairerreuG, ukiaH) sorenègorcim soL aid oriecret on, (acitàmotua atircse) roiretni ogolonom lE aid odnuges on, odatarapsid romuh lE aid oriemirp oN .euquD arraP ogeiD rodamrof olep solevacraC oirátinumoC ortneC on otief pohskrow, avitaerc arutircse ed anames á sovitaler oãs meuges es euq soxtet ed adanrof A

Take one - El humor absurdo
La historia de la mujer que siempre quería estar más delgada

Una mujer quería por todos los medios ser delgada. Tomaba para desayunar sólo una chucharada de leche cuajada descremada y o acompañaba con una taza de té para adelgazar. Después se iba a la oficina. Allí, en el descanso del mediodía, leía una receta en el "Libro de la cocina para adelgazar". Cuando tenía mucha hambre leía dos recetas. Eso le bastaba.
Por la noche preparaba una sensalada con tres pastillas para adelgazar, sal y zumo de limón. Los domingos añadía una pizca de mostaza a la ensalada de pastillas.
La mujer adelgazó. Pero quería adelgazar más.
Un día leía en el descanso el "Libro de cocina para adelgazar".
Estaba un poco cansada y se durmió. Y ele libro se cerró. ENseguida volvieron del bar los compañeros. Al prinicipio solo vieron el libro encima de la mesa. Después encontraron a la mujer: estaba como señal entre la página 48 y la 49.

(Ursula Wolfel)

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Intelectus Futebolisticulus

Sócrates era o único futebolista profissional do mundo... intelectual. Dava verdadeiros pontapés de bicicleta na gramática, fintava com grande capacidade de argumentação, chutava ao jeito Pollock e fazia passes subtis como uma flauta de pã.

O nome Sócrates vinha da mãe querer um Pensador e o pai um futebolista. Mas todos lhe chamavam "o arquitecto" pela sua organização de jogo. Quando era pequeno faltava aos treinos e jogos para fugir para a escola e a biblioteca, faltava aos exames para ensaiar jogadas estudadas. Em vez de preparação fisíca, Sócrates, abusava da preparação racional, artístico-cultural, intelectual, lógico-matemática e abstracta, numa verdadeira formação integral do atleta.

Sabia todas as condições óptimas para um equipamento em condições: chuteiras puma de 8 pitons nº acima do calçado normal, bla bla bla e tinha até um estudo feito que assegurava que as equipas que jogavam de vermelho e preto tinham mais probabilidade de ganhar um jogo.

Sócrates jogava na lateral porque evitava usar a cabeça compensando isso pela forte cultura táctica, sabia que o 4-4-2 estava completamente desactualizado. Antes de qualquer jogo internacional aprendia todas as coisas importantes sobre a cultura adversária, aprendia a língua, os hábitos, a geografia, as comidas, as figuras, a História.

Marcava golos e dedicava-os a Picasso, a Platão, a Fernando Pessoa ou à Ursula Wolfel. Enquanto os colegas matavam a sede junto ao banco de suplentes, ele dirigia-se lá para tomar nota das ideias fortes tidas no calor do jogo.

Sócrates era evitado pelos jornalistas nos finais de partida. Todos sabiam que daí viria outra explicação do futebol tida à imagem da Teoria da Evolução de Darwin. Adorava autógrafos e dava-os em forma de contos e poesias.

Escrevia uma coluna no jornal A Bola, outra no Jornal de Letras e escrevia sozinho o jornal da Associação do jogador profissional intelectual, por ele criada.

Aprendia com as critícas do treinador, não pelas falhas na finalização ou pela falta de esforço, mas pelas palavras caras que empregava, obrigando a equipa a pagar um salário a um intérprete especialista em Filosofia da Linguagem.

As claques que o apoiava gritavam: "Dá-lhes com a Guernica" ou "Deixa-os estáticos como a Mona Lisa" e gritavam "Xeque-mate" em vez de golooooo.

Quando acabou a sua 3ª tese de doutoramento em Criatividade da Relatividade recebeu o prémio de melhor jogador do ano. Nesse ano percebeu que não conseguia mais: - A beleza do jogo era-lhe tão maravilhosa que não podia perder tempo com jogos, teria que conseguir recriar essa emoção na Arte.

(o meu)

Take two - El monologo interior
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El innombrable

[...] quizá sea el único, no sé, no vale nada, es cuanto sé, no soy yo, es cuanto sé, no es el mío, es el único que haya tenido, no es cierto , debí de tener el otro,el que dura, pero no duró, no comprendo, lo que quiere decir que si dura siempre, yo estoy siempre ahí, me abandoné ahí, espero, no, no se espera ahí, no se escucha, no sé, se trata de un sueño, quizá sea un sueño, lo que me sorprenderia, voy a despertarme en el silencio, no dormirme más, seré yo, o seguir soñando, sonãr un silencio, un silencio de sueño, lleno de murmillos, no sé, son palabras, no despertarme nunca, son palabras, no despertarme nunca, son palabras, es lo único que hay, es menester seguir, es cuanto sé, ellos van a deternerse, conozco eso, los noto que me abandonan, ser el silencio, un breve instante, un buen momento, o ser el mío, el que dura, que no duró, que dura siempre, seré yo, es menester seguir, no puedo seguir, es menester seguir, voy, pues, a seguir, hay que decir palabras, mientras las haya, hay que decirlas, gasta que me encuentren, hasta que me digan, extraño castigo, extraña falta, hay que seguir, acado esto se haya hecho ya, quizá me dijeron ya, quizá me llevaron hasta el umbral de mi historia, ante la puerta que da a mi historia, esto me sorprendería, si da, seré yo, será el silencio, allí donde estoy, no sé, no lo sabré nunca, en el sinlencio no se sabe, hay que seguir, voy a seguir.

(Samuel Beckett)

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Estás a parar para começar e paraste para te ouvir, riscaste, não há censuras. Foda-se! não consigo fazer isto, ouve-te, não faças barulho, o barulho do camião a passar ajudou-me a escrever: descrição, o silêncio da alma o que é que ela diz? se calhar não tenho nada para dizer como o texto do Tiago (colega de workshop), serão todos iguais ao meu, o frenesim de se ouvir, desconstruir, que raio sempre nos ensinaram o contrário. Autocarro, e se tentasses pensar num tema? Sair-me-ia qualquer coisa sobre sexo, não vou ler um texto de um pensamento meu sobre sexo, não vou ler, estou a escrever, vou ler, vou reler este texto. stop.

Há bichos na minha cabeça pequenos aos saltos, loucura, estou a endoidecer, não estou nada. Estas guerras entre mim e mim aborrecem-me, gostava de ser mais decidido, talvez não, ser decidido é chato, lá estás tu com as morais sobre o bom e o mau, pensas demais, foi o que ele (o formador) pediu, que pensasse, que escrevesse e eu quero, estou a ser capaz, tanto como qualquer outro que me ouvisse a mim, não me tenho ouvido muito, tenho feito coisas contra mim, ouvir-mo-nos é difícil e eu não sabia, ouvir-me confunde-me, o melhor é fazer orelhas moucas a mim, estou a baralhar-me. Espera, estás a dialogar, tu e tu outra vez? quantos eus? encontrar um eu, não existe, és muitos, tens que te ouvir a todos os eus. Esqueçam isso: se ouvir um dá trabalho, ouvir todos é endoidecer, a loucura outra vez, isto começou nos bichos aos saltos, serão os eus? estava consciente que queria ouvir-me, mas não era isto que estava a pensar. Será que o Freud fazia este exercício? o Freud... o Freud é que podia tentar ouvir-me e escrever-me, ou outra pessoa qualquer, alguém capaz, de que eu gostasse, se calhar não gostava de me ouvir. De loucos, pára com a paranóia da loucura! já parei mas vai voltar, tenho pensamentos a mais para a velocidade da caneta, não consigo por causa disso, estás a conseguir, não acreditas em ti, eu adoro-me, pronto não há censuras mas não devia ter escrito isto, que vaidade "eu adoro-me" ainda por cima não é verdade. Quem quer escrever verdades!? Que raio queres tu escrever? parei, é impossível não parar. Sala com as pessoas: também pararam vocês? ontem frases curtas, hoje tenho que me censurar a não meter pontuação... ele (o formador) dá connosco em doidos. A loucura outra vez, eu disse que ela ia voltar. Mas isto solta-nos, esvazia-nos, já me sinto mais livre, é do chá. Quanto estará o Benfica? toda a gente vai achar que és viciado em futebol, ontem futebol hoje futebol. E daí? gosto sim. Quando é que isto acaba? quando decidires? e quando é que dcido? agora? ainda não, deixa ir... todos nos bancos a escrever sozinhos. o que é que terão para dizer? não tem que fazer sentido, fabuloso, não há problema dizers seja o que seja, mas a minha cabeça será lida como sem sentido? e que sentido é que ela tem?! stop.

Um cigarro. Um cigarro enche-te a cabeça de fumo, mas relaxa ou as pessoas acham que sim, e se te esticasses como o Basile (colega de workshop)? olhavas para a lua, já acendeste o cigarro e não te podes esticar porque escreves. Então para quê a discussão? não sabia que discutia tanto, se calhar é agora, deu-lhe para isto a cabeça, sempre que a tentas ouvir ela vai discutir, ela não quer que a oiças. Bela ideia ir para o chão, foi o Basile, aí está um gajo descontraído ou bom fingidor, gostava de ser descontraído, tenho tentado, se calhar não somos o que queremos, somos e pronto. Tenho sido. stop.

(meu)

Take three - Microcuentos
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Lectura de Cartas

Las cartas lo mostraban claramente: moriría justo en el momento de salir de su consultorio. Eso sí: no decían de qué manera lo haría. Ella supuso mil formas trágicas y sufrió por su cliente: una pared que se derrumba, un resballón por las escaleras, un attraco justo a salir a la calle. Entonces decidió ayudarlo a morir de una manera más tranquila. Cuando el cliente abrió la puerta, se escuchó un disparo seco que retumbó por todo ele edificio.

..."Las cartas nunca mienten"... - pensó la tarotista mientras guardaba el revólver.

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La Prueba

La máquina de tiempo estaba por fin lista para ser probada. Para no arriesgar demasiado, el inventor decidió emprender un viaje apenas trece segundos en dirección al pasado. Puso en marcha todos los dispositivos y apretó el botón. La máquina de tiempo estaba por fin lista para ser probada. Para no arriesgar demasiado, el inventor decidió emprender un viaje apenas trece segundos en dirección al pasado. Puso en marcha todos los dispositivos y apretó el botón. La máquina de tiempo estaba por fin lista para ser probada.

A little personal neurosis

Si se me duerme una pierna durante el día siempre temo lo peor: la pierna no va a tener sueño por la noche, y va a querer salirse de la cama y caminar por allí mientras el resto de mi cuerpo trata de reposar tranquilo. Siempre intento buscar una solución al problema de mi insomne extremidad: deberían diseñar programas de meduanoche especiales para piernas, podráia enseñarle a leer de noche para que no molestase a nadie, o simplemente conversar con ella hasta que se quesade dormida de nuevo. Pero, no, nada de eso sucede: si se me duerme una pierna durante el día siempre temo lo peor.




Uma teoria da personalidade

O coração saíu para a rua. Ia apressado em ritmo de taquicardia compassada. A sua mente torturava-o, pensava-se vítima por ninguém gostar dele. Desejava um corpo que o tornasse alma decidida: passar de verde inseguro a encarnado coração.

O coração chegou da rua. Mente analítica esquematizando todos os pormenores da sua tarde de corpos belos. A sua alma predadora tinha alcançado o que ambicionara. "Teria sido Sexo ou Amor!?"

O coração saíu para a rua. Ia apressado em ritmo de taquicardia compassada. A sua mente torturava-o, pensava-se vítima por estar apaixonado e não ser correspondido.

(meu. Sinopse: este texto aparece com base numa "teoria da personalidade" que divide as pessoas em mente, corpo, coração e alma. Este conto pretende jogar com estes conceitos. Imaginando-os na vida de um jovem adolescente na fase da puberdade com o dilema do corpo e da sexualidade, quando a descobre passa a ter um dilema passional. É pura ficção.)

Take three and a half - Bestiario
El Kahir

Vive en las montanhas de Irlanda, encima de las hojas de mandrágora. Es muy vanidoso, y por eso siempre habla de él mismo pero en tercera persona, diciéndo continuadamente: ...- "es un animal muy bonito, no es verdad? El kahir se parece a un lagarto, pero es muy espinoso y tiene tres colas. Si usted atrapa un kahir, puede volverse millonario. Sin embargo, deve atraparlo dormido, y esto sólo ocurre en las noches de luna llena. Para volverse millonario, una vez usted atrapa a un kahir, lo pone sobre una cajita de arena, y el con sus tres colas dibuja el premio mayor de la lotería local.

(Woody Allen)


Quelmequer

Nunca foi visto, ouvido, sentido. Mas todos acreditam que existe. Diz a tradição oral e sagrada!
Reza a lenda que se alimenta de sustos, ninguém compreende como não morreu ainda à fome. Existirá ainda!?
Dizia ainda a lenda que é enorme, monstruoso e usa escamas descartáveis. Vive em grutas fundas e húmidas no inverno e soterrada em desertos quentes no verão. Sabe voar, nadar e é veloz. Tem como hobbie preferido jogar às escondidas, e há quem acredite que foi daí que nasceu o jogo.

1, 2, 3 QUELMEQUER, não salva ninguém!

(meu)

17.10.05
Dissidência
Apanhei sem querer, num destes dias, um programa que nunca tinha visto e que chama “A revolta dos pasteis de nata”. Pelo que percebi, era sobre o Ensino Superior.
A primeira convidada era uma aluna de medicina que parecia investir à câmara um qualquer cartaz a dizer “eu não sou croma, estou neste curso porque sou inteligente!”. Não disse nada com que eu concordasse, irrita-me que os alunos de medicina vendam a ideia de um curso de marranço, é uma idiotice.
O segundo convidado era o Fernando Dacosta e tive pena que fosse interrompido tantas vezes. Falou do mal da educação no nosso país. Mas também falou do bem. Embora cada vez menos frequentes, as tertúlias, os espaços de conversa informal, as discussões acesas e entusiasmantes no parecer dele, não se encontram assim em mais lado nenhum.
O mal, segundo ele, eu resumiria à matança da “dissidência”, do lugar da criatividade, do rasgo de atrevimento. Uniformização.
Gosto da palavra dissidência.

15.10.05
comboio especial
"- Benfica! Ô Ô Ô Ô! Benfica! Ô Ô Ô Ô! Benfica! Ô Ô Ô Ô! Benfica! Ô Ô Ô Ô!"
(para ser cantado com a entoação devida, de preferência por grupos de mais de cem pessoas à janela de um comboio Lisboa-Porto)

Os comboios são sítios interessantes. Já vi de tudo em comboios. Hoje, uma novidade: aqui à espera do regional Coimbra-Aveiro, passa o especial da claque do Benfica a encher a estação de canções gritadas, estoiros de bombinhas, batuques de palmadas nos vidros das carruagens. De repente a estação parece pequena. Parte o comboio dos índios e a estação cresce outra vez. As claques (e não só as futebolísticas) têm destas coisas -- absorvem a solidão individual. Ampliam-nos, como se ocupássemos mais espaço. Mas não nos dão necessariamente razão e duvido que nos revelem o que quer que seja. Por isso sempre detestei as metáforas do "rebanho" para falar da fé e da Igreja. Aí, na procura de sentido, estamos inevitavelmente sós uns com os outros. Ninguém se salva sozinho, mas também ninguém se salva em claque.

13.10.05
CCS – Centro Cooperazione Sviluppo
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AJUDAR...
...as crianças desfavorecidas vítimas da guerra, da pobreza, de abusos por parte dos adultos;

OFERECER-LHES...
...o sustento necessário e o acesso à educação, à aprendizagem de uma profissão;

FAZER...
...um esforço no sentido de integrar estas crianças nos seus
próprios países.


Foi com estas finalidades que foi criado em 1988 o Centro Cooperazione Sviluppo (CCS), uma Associação laica de voluntariado que fez da alfabetização e da formação dos jovens os seus objectivos primários.

No ano passado, uma amiga minha que já vem da fase da "aborrescência", estudante de Relações Internacionais na minha faculdade, resolve fazer o estágio curricular do último ano de curso lá fora: Génova, Itália. Encontra o CCS, faz lá o estágio e gosta muito.

No fim do estágio (a dois meses do final) pedem-lhe que faça um projecto em que conceptualizasse "o que seria abrir um CCS em Portugal". Projecto que ela faz com qualidade, mas sem a consciência que isso era o princípio do CCS em Portugal, e do seu começo profissional enquanto coordenadora do projecto.

O CCS é um projecto de adopção/apadrinhamento à distância (só chega agora a Portugal, mas em Itália e no Norte da Europa - os que conheço - é uma função com bastante sucesso), por pessoas europeias de crianças em países sub-desenvolvidos, o principal trabalho deles é feito em Moçambique. Eu, embora admirador confesso desta minha amiga e portanto suspeito, sei que o CCS tem um trabalho muito válido que vale a pena apoiar, deixo-vos a dica. Passem pelo site site da CCS, dêem uma olhada e apadrinhem uma criança, podem fazer a inscrição por lá. Eu já fiz.

Acrescento ao post: entretanto, num envio de mails a divulgar esta associação descobri que outra amiga minha, do Porto, tem uma associação nos mesmos moldes mas que funciona com Timor, onde ela esteve a ajudar. Fica aqui também o site da associação Tane Timor para darem uma vista de olhos.

11.10.05
O Voto


Na angústia de mais uma reunião geral de alunos dei por mim a pensar este esquema.
O voto será uma parte, uma parte apenas, daquilo a que chamamos cidadania. E do que entendo desta palavra (que todos conhecemos mas dar definições será mais do que mandar umas palavras para o ar) tem a ver com a nossa vivência da cidade, alargada depois à vivência em sociedade. Uns com os outros.
Ora se tomarmos o nosso voto

como algo que apenas a nós pertence, que defende os nossos interesses servindo assim de expressão da nossa vontade... parece-me que dá aso a votarmos então, por exemplo, em quem nos der algo que nos faz falta como um

Justifica-se assim muita coisa. Quem diz um frigorífico pode dizer coisas mais difíceis de desenhar como beneces na exploração imobiliária e outras.
Ora, na nossa cidade, no nosso curso, em qualquer local onde somos chamados a votar se votarmos sempre no que nos serve a nós, o que acontece?
Acontece que este exercício de democracia se pode tornar na forma mais injusta de resolver os problemas. As minorias nunca terão expressão. E assim como uma mentira não se torna verdade lá porque muitos a dizem, a injustiça também não se torna justa lá porque serve a maioria.
O que eu posso dizer, depois da terrível RGA, é que de pouco vale exercermos o voto se não é para o bem do conjunto (a tal bola grande que desenhei no esquema), se não o fizermos para que mais vivam melhor, se não o fizermos com um raciocínio honesto e justo.
Engano este de que o voto é meu e com ele defendo os meus interesses contra os dos outros.
Agora, um pouco tarde, mas se me apetecesse votar em alguém, nas autárquicas, que garantidamente proporcionasse mais oportunidades culturais (será que existe?), espaços de lazer agradáveis, ruas com passeios e uma ligação mais forte com a universidade… as coisas que eu sinto falta… eventualmente não estaria a fazer grande serviço à cidade porque há coisas mais urgentes que têm a ver com a sobrevivência de muita gente, com a habitação, com o emprego, com a pobreza.
Continuo a tentar encontrar respostas…

10.10.05
Lezíria
Uma casa de mistérios, não existem corredores, as salas sucedem-se e nunca conseguimos prever o que vai aparecer. Uma sala muito pequena, uma mesa, estantes de livros, um telefone. Uma sala de pinturas azuis, sofás brancos. Outra sala e entra uma luz muito serena. Não parece lá fora ser o Ribatejo. Podemos escolher a sala onde queremos ficar um pouco.
Uma cozinha de mesa de mármore comprida no meio, tigelas de barro guardam os alimentos daquela terra. O fogão serve a muita gente, o lava-loiças é frio mas ali é necessária energia. As panelas estão penduradas nas paredes, por cima delas: tranças de cebolas.
Os quartos pequenos, com janelas junto ao chão. Uma cama, uma mesa-de-cabeceira com um candeeiro antigo, um pouco partido. Uma secretária e um armário. Apenas. E ali só parecem faltar os livros. Os livros fazem parte dos quartos, muitos livros. Dizem de quem ali dorme. Ponho o meu junto à cama.
Aquelas mulheres que ali vivem. Sente-se alegria e força. Coragem de quem rodou o mundo mas escolhe aquela lezíria para viver. Até à próxima viagem. Lê-se junto à buganvília e aos pés do pinheiro manso. Pinhões partem-se com uma pequena pedra. Ninguém faz muitas perguntas. Conhecem-me muito mais do que imaginava. Aceitam-me ali sem as idiotas boas maneiras. Estou na casa e venho por bem. Chega. Uma delas lembra-se de mim num único momento: o meu pai pegou-me ao colo quando o pai dele morreu. E eu não lembro. Lembro o ar triunfante da minha irmã ao chegar a Coimbra com um frasco cheio de sardaniscas vivas que lá tinha apanhado e da minha indignação, toda a possível aos 4 anos. Bati com a porta. Fugi dali furiosa.
Estas mulheres sabem de mim agora muito mais do que poderia ter mostrado em 3 dias. Metem-se comigo porque me leram.
Naquela casa, há recados por baixo de uma romã, na mesa da cozinha, para quem dorme até tarde.
As conversas são de olhos nos olhos. Não vale fugir. Falamos de educação, rimos muito e alto porque é essa a vontade. Rir ajuda a desanuviar tudo aquilo o que não entendemos! Falamos de África e falamos de política. Chega alguém que só eu esperava e acrescenta-se um prato. Revê-se amigas queridas e afinal todos ali eram amigos.
Há muitas chaves penduradas na parede, são de portas abertas, chaves descobertas, vidas repletas. Fica a vontade de voltar.

9.10.05
No Mundial 2006...
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... grita-se Angolaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

"O laboratório de Taizé"
"O laboratório de Taizé" é o título da crónica de hoje de Frei Bento Domingues. Termina com uma interpelação pertinente:

«Em Portugal, já existem muitos jovens que foram a Taizé. Mas qual é a sua capacidade de influenciar as comunidades locais onde estão inseridos? Às vezes, tenho a sensação de que se esquece a monástica comunidade ecuménica onde nasce aquela escola de oração. E, no caso português, é fácil este esquecimento. A vida monástica foi, entre nós, muito mal tratada e, na restauração das ordens e congregações religiosas, quase esquecida. Só as formas de vida religiosa que pudessem ter actividades sociais e pastorais eram desejadas. E pagamos caro esse esquecimento. Talvez seja por isto que as nossas formas de rezar sejam tão miseráveis, tanto nas suas expressões musicais como simbólicas. (...)»

8.10.05
o que quer a Europa ser no mundo?
No seu artigo de terça-feira, no "Público", Teresa de Sousa comenta a tibieza dos líderes europeus e o populismos de alguns deles, em relação à adesão da Turquia à União Europeia (sublinhado meu):

«Desde que, em 1999, a UE colocou a questão turca na agenda, era preciso ter explicado aos europeus os fundamentos dessa decisão.
Era preciso explicar o que pode significar abrir as portas a uma grande democracia islâmica cujo destino está irrevogavelmente ligado à Europa, que quer ser parte da Europa e que está disposta a aceitar inteiramente as condições impostas pela Europa. Que é isso, também, a tradução prática das belas propostas europeias sobre a "aliança de civilizações" que os líderes europeus gostam de exibir nas Nações Unidas para esquecer logo que chegam a casa.
Era preciso ter explicado aos europeus que, se a União quer ter um papel no mundo em vez de se limitar a sofrer as consequências das mutações mundiais, tem de ser capaz de agir estrategicamente de forma eficaz. Que o seu maior desafio mundial está na sua capacidade de estabilizar as suas próprias e instáveis fronteiras e que isso se faz expandindo a democracia e o desenvolvimento. Que isso tem um custo imediato, maior do que as belas declarações pomposas, baratas e normalmente ineficazes com que a Europa reage aos problemas do mundo. Mas que pode vir a ter enormes vantagens no longo prazo para a paz e a segurança europeia, incluindo a sua segurança energética.
Era preciso ter explicado aos europeus, que vivem hoje, mais do que nunca, no medo do terrorismo, que um sinal positivo à Turquia era também um sinal positivo para a vasta minoria islâmica que vive dentro das fronteiras da União. Que isso não está separado dos esforços para integrá-las nas nossas sociedades abertas e tolerantes, minando o terreno às franjas radicais que hoje alimentam o terrorismo.
Era preciso, em suma, lideranças capazes de imprimir confiança em vez de fomentar o medo - da globalização económica, do alargamento, do islamismo.
Fica a outra questão - o que quer ser a Europa no mundo. Fechar as portas à Turquia, como deixar a Ucrânia ao abandono, reduzi-la-á a prazo a um actor menor, envelhecido, empobrecido (a globalização não pára só porque os europeus a temem), sem instrumentos políticos para influenciar as suas fronteiras instáveis.
»

"Perante a tragédia dos imigrantes mortos em Ceuta"
Comunicado do "Secretariado de Migraciones" da diocese de Cádiz e Ceuta.

«A diocese de Cádis e Ceuta quer expressar publicamente a sua mais profunda consternação e pesar perante a morte de quatro imigrantes que tentaram passar a fronteira que separa o Reino de Marrocos da Cidada Autónoma de Ceuta. A vida de cada pessoa humana é sagrada e não há nada que possa justificar estas lamentáveis perdas.
Hoje, todos nos devemos sentir interpelados por estes casos e pelos acontecimentos que se estão a viver nas zonas fronteiriças do Reino de Marrocos com Espanha.
A pressão migratória de cidadãos procedentes de distintos países africanos nestas zonas fronteiriças não é mais que um sinal dos grandes problemas de injustiça, desigualdade, pobreza e graves epidemias que estão a assolar muitos desses países.
Certamente as migrações não são o instrumento adequado para dar resposta a estes graves problemas, que requerem o compromisso das sociedades democráticas nos países de origem e uma política decidida e eficaz de cooperação por parte do Ocidente e dos países da União Europeia. Porém, compreendemos que muitos cidadãos queiram empreender o êxodo migratório para melhorar a sua situação de vida e a das suas famílias. A União Europeia deveria contemplar todas estas situações e dar uma resposta justa em coordenação com os países de origem.
A diocese de Cádiz e Ceuta, tal como vem fazendo, reitera a sua vontade decidida de colaboração e de compromisso, de serviço na construção de uma sociedade fraterna e justa onde os imigrantes possam integrar-se dignamente.
Convidamos todos os cristãos a dirigir as suas orações a Deus por estes nossos irmãos
falecidos, pedindo-Lhe que nos ilumine a todos na procura de caminhos de justiça, fraternidade e paz.

Cádiz, 29 de Setembro de 2005
»

(tradução livre da página da Obra Católica Portuguesa de Migrações; a ler também post no 2 dedos de conversa, cartoon alusivo)

micro-causa "Público" vs Felgueiras
Depois da evasão, Fátima Felgueiras preferiu a invasão. Uma decisão (aparentemente) combinada de uma juíza-amiga foi o suficiente para se libertar das mãos da tenebrosa polícia judiciária. E regressa Fátima triunfante sorrindo em todos os canais, verdadeira conquistadora da triste pátria lusa.
O "Público" fez manchete do assunto, revelando que o regresso de Fátima Felgueiras foi previamente preparado, inclusivé com conhecimento da direcção do PS. A direcção do PS desmentiu. O "Público" reafirmou. Usando o direito de resposta, numa longa (e enfadonha) carta, Fátima Felgueiras desmente o jornal. Depois desta história mal contada, o "Público" entrou em silêncio. Posto isto, mesmo tardiamente, associo-me à micro-causa do Bloguítica pedindo ao meu jornal diário que mostre respeito pelos seus leitores e dê explicações.

7.10.05
terra da polémica
Na Terra de quarta-feira:

Zbigniew Preisner.
Os motivos da decadência do bravo povo lusitano, com explicações prometidas para a semana.
Polémica sobre o casamento dos homossexuais (que deu origem a uma grande cavaqueira na tasca do Lutz).
Um texto do CC sobre a aceitação da mentira na política e suas consequências civilizacionais:

«Não aceitamos a mentira aos amigos, aos familiares, aos colegas de trabalho, às empresas, aos clientes, aos desconhecidos com quem temos de lidar. Por que razão achamos natural e justificamos as mentiras dos que se propõem servir um cargo público? Porque criamos (mais) um campo de suspensão da moral nestas relações tão importantes?»

6.10.05
Redescobrir a cidadania
Jazz, poesia e cidadania, para apresentar a página oficial das
IX Jornadas de Universitários Católicos: www.redescobrircidadania.org.

Cidadania

Buquê de ruídos úteis
o dia. O tom mais púrpura
do avião sobressai
locomovida rosa pública.

Entre os edifícios a acácia
de antigamente ainda ousa
trazer ao cimo a folhagem
sua dor de apertada coisa.

Um solo de saxofone excresce
mensagem que a morte adia
aflito pássaro que enrouquece
a garganta da telefonia

Em cada bolso do cimento
uma lenta aranha de gás
manipula o dividendo
de um suicídio lilás.


(Natália Correia)

ò vai ò racha



desejo a todos uns bons dias de reflexão até domingo... se conseguirem entre as obras apressadas que se vão fazendo, aqui pela minha rua não tem sido fácil.
depois de ter conhecido alguém de Felgueiras fiquei muito mais contente por ser daqui.
deixo-vos as frases que estão escritas em vidros do bar de serralves, no caso de precisarem delas.

Quebrar em caso de emergência

Quebrar a emergência do caso

Quebrar a emergência ao acaso

Emergência em caso de quebra

Quebrar a emergência em casa

Em emergência quebrar o caso

Quebrar o caso sem emergência

Quebrar em qualquer caso

4.10.05
Esperança
Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu filo perfeitamente.
Para diante tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade.

Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira.
(...)

almada

uma_imagem_gira

Hoje uma notícia de criança abriu o meu dia.
Hoje o dia terminou a passear pela minha cidade com alguém que aqui vive há 5 anos e, querendo dela tirar fotografias, nunca por algumas ruas tinha passado. Aquelas ruas que arriscamos quando as conhecidas já são muito conhecidas. Esperei que o sol baixasse para que a luz fosse mais bonita. Há segredos inconfessados para mostrar uma cidade. Foi bom ver o espanto na cara dela.
Há uns dias lembrou-me aquele a quem a Rita mais acarinhou a sua frase: Talvez o segredo da vida seja tentar ao máximo vivê-la lentamente.... E desenhou em baixo um caracol.

A propósito de caracol Pedro Tamen escreve assim:
"Só é lento quem vai mais devagar
que aquilo que deseja".

E é isso que tento explicar quando passeamos de carro e sou eu que conduzo. Vou à velocidade a que me sinto.

Antes, no mesmo poema, escreveu:
"O caracol conhece pouco mundo,
mas é colado a ele
que o conhece."

Penso com os meus caracóis e espero que sim. Esperança.

sobre há uns dias
«Não rejeito os elogios, eles são importantes e agradáveis. Simplesmente defendo-me deles, na medida em que eles podem esconder as nossas próprias capacidades. Pode dar-nos a impressão de que somos outra coisa, que temos mais capacidades do que aquelas que realmente temos. Isso impede o encontro frontal com a nossa realidade.»

(Augustina Bessa-Luís)

Começou a guerra...
uma_imagem_gira

autárquicas


Cortesia de um autarca brasileiro, da última "Egoísta", da "Economist" e dos nossos quatro candidatos favoritos.

3.10.05
terra da alegria
Hoje a terra da alegria continua à volta das coisas da fé e da Igreja, com um texto meu e outro da Maria da Conceição:

«Não podemos deixar de pensar e comparar a relação entre a quantidade de crentes baptizados e que se afirmam católicos, e o facto de sermos um país onde a corrupção, a fuga aos impostos, a fraca participação cívica, têm fortes expressões.»

2.10.05
incontentamento
Quero escrever, mas tenho caixotes para arrumar. Quero ler sem objectivo nenhum, mas tenho que ler para escrever. Quero trepar às árvores, mas tenho que me sentar a discutir e decidir coisas. Quero um pouco mais de locura, mas o caminho parece traçado. Quero voltar a ler muitos blogues mas só a dúzia do costume me interessa. Quero voltar a ouvir o Lou Reed, "take a walk on the wild side", mas só apanho as notícias da TSF. Quero falar com poucas pessoas, com uma ou duas só, pessoalmente, proximamente, mas tenho dezenas de contactos a fazer.

«Tu só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam necessárias para olhos individuais.
»

(almada)



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